Câncer de fígado que voltou: é preciso operar de novo?

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Câncer de fígado que voltou: é preciso operar de novo?

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Câncer de fígado que voltou: é preciso operar de novo?

Um ensaio clínico randomizado com 210 pacientes comparou a cirurgia com a combinação de quimioembolização e ablação por radiofrequência no câncer de fígado que voltou após o tratamento inicial. A sobrevida foi semelhante entre os grupos, e a combinação teve menos complicações.

“No Hospital Certa, a quimioembolização hepática convencional (com lipiodol) e a ablação percutânea por radiofrequência ou micro-ondas fazem parte da rotina do tratamento de tumores do fígado. Estudos randomizados como este ajudam a definir o melhor caminho para cada paciente.”

O que o estudo investigou

O carcinoma hepatocelular, o câncer primário do fígado mais comum, frequentemente volta mesmo depois de uma cirurgia ou ablação bem-sucedidas. Quando a recidiva é pequena e aparece mais de um ano após o primeiro tratamento, a cirurgia é uma das opções, mas operar o fígado novamente é mais difícil e arriscado.

Os pesquisadores chineses quiseram saber se a combinação de quimioembolização (injeção de quimioterapia e bloqueio dos vasos do tumor por cateter) com ablação por radiofrequência (destruição do tumor por calor, com agulha) seria tão eficaz quanto uma nova cirurgia.

Como o estudo foi feito

Entre 2013 e 2019, 210 pacientes com recidiva tardia e pequena do câncer de fígado (um nódulo de até 5 cm ou até três nódulos de até 3 cm, surgidos pelo menos 12 meses após o tratamento inicial) foram sorteados para receber quimioembolização com radiofrequência (105 pacientes) ou cirurgia (105 pacientes).

O principal desfecho foi a sobrevida global. Também foram avaliados a sobrevida livre de recidiva e as complicações de cada tratamento.

Desenho do ensaio clínico randomizado. Esquema original do Hospital Certa elaborado a partir de Zhang et al., Radiology, 2025.

Principais achados

  • A sobrevida em 1, 3 e 5 anos foi de 99%, 81% e 69% no grupo da quimioembolização com radiofrequência, e de 96%, 81% e 76% no grupo da cirurgia. A diferença não foi estatisticamente significativa.
  • A sobrevida livre de recidiva também foi semelhante entre os grupos.
  • As complicações foram menos frequentes com a combinação de quimioembolização e radiofrequência: 24%, contra 41% na cirurgia.
  • Os autores concluíram que a combinação não foi superior à cirurgia em sobrevida, mas teve menos complicações.

Sobrevida e complicações nos dois grupos. Gráfico original do Hospital Certa com os dados de Zhang et al., Radiology, 2025.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo foi conduzido no Sun Yat-sen University Cancer Center, em Guangzhou, na China, um dos maiores centros de câncer de fígado do mundo, e publicado em fevereiro de 2025 na Radiology, a revista científica da Sociedade Norte-Americana de Radiologia (RSNA), acompanhado de editorial.

Referência (Vancouver): Zhang YJ, Chen J, Zhou Z, Hu D, Wang J, Pan Y, et al. Transarterial chemoembolization with radiofrequency ablation versus surgical resection for small late-recurrence hepatocellular carcinoma. Radiology. 2025;314(2):e241096. doi:10.1148/radiol.241096

Por que isso importa para a saúde do paciente

Receber a notícia de que o câncer de fígado voltou é difícil, e a perspectiva de uma nova cirurgia de grande porte assusta. Este ensaio randomizado mostra que, para recidivas pequenas e tardias, a combinação de quimioembolização e ablação é uma alternativa real, com sobrevida semelhante e menos complicações.

A diferença de sobrevida em 5 anos (69% contra 76%) não foi estatisticamente significativa, mas também não pode ser descartada, e cada caso deve ser discutido em equipe multidisciplinar, com cirurgião, hepatologista, oncologista e radiologista intervencionista. A escolha considera o tamanho e o número de nódulos, a função do fígado e a saúde geral do paciente.

O Hospital Certa Expert Care realiza a quimioembolização hepática e a ablação percutânea de tumores do fígado em regime de hospital-dia, com equipe especializada em radiologia intervencionista e valores acessíveis. Para agendar uma avaliação, fale conosco pelo WhatsApp (11) 96625-5970 ou pelo telefone (11) 2548-6265.

Perguntas frequentes

O que é quimioembolização?

É um procedimento em que o radiologista intervencionista leva um cateter até a artéria que nutre o tumor e injeta quimioterapia misturada a um contraste oleoso (lipiodol), seguida de partículas que bloqueiam o fluxo de sangue. A quimioterapia fica concentrada no tumor.

O que é ablação por radiofrequência?

É a destruição do tumor por calor, aplicado por uma agulha introduzida pela pele e guiada por ultrassom ou tomografia.

Por que combinar os dois tratamentos?

A quimioembolização trata o tumor por dentro dos vasos e reduz o fluxo de sangue, o que ajuda o calor da ablação a se espalhar de forma mais completa pelo tumor.

Esse tratamento serve para qualquer recidiva?

Não. O estudo incluiu recidivas pequenas e surgidas pelo menos um ano após o primeiro tratamento. Casos diferentes precisam de avaliação específica.

O Hospital Certa faz a quimioembolização com microesferas?

Não. O Certa realiza a quimioembolização pela técnica convencional, com lipiodol.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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