Câncer de próstata: é possível tratar o tumor sem retirar a próstata inteira?

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Câncer de próstata: é possível tratar o tumor sem retirar a próstata inteira?

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Câncer de próstata: é possível tratar o tumor sem retirar a próstata inteira?

Um estudo francês com 3.328 homens comparou o tratamento do câncer de próstata por ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) com a prostatectomia radical. O controle do câncer foi semelhante em médio prazo, e o HIFU causou menos perda urinária e menos impacto na ereção.

“No Hospital Certa, a ablação focal do câncer de próstata é feita como rotina, com radiofrequência, micro-ondas, crioablação ou eletroporação irreversível, conforme o caso. O estudo HIFI usa outra fonte de energia, mas confirma o princípio que guia esse cuidado: tratar o câncer preservando o que for possível da qualidade de vida.”

O que o estudo investigou

A prostatectomia radical, que retira toda a próstata, e a radioterapia são os tratamentos clássicos do câncer de próstata localizado. Ambos são eficazes, mas podem deixar sequelas como incontinência urinária e disfunção erétil. As terapias ablativas, que destroem o tumor por calor, frio ou energia elétrica sem retirar a glândula, surgiram para reduzir esses efeitos.

Faltavam estudos grandes e prospectivos comparando diretamente uma terapia ablativa com a cirurgia. O estudo HIFI quis saber se o HIFU, aplicado a toda a próstata ou a parte dela, controla o câncer tão bem quanto a prostatectomia e com que impacto na continência e na ereção.

Como o estudo foi feito

Entre 2015 e 2019, 46 centros da França incluíram 3.328 homens com câncer de próstata de risco baixo ou intermediário: 1.967 tratados com HIFU (na glândula inteira ou em parte dela) e 1.361 com prostatectomia radical. O tratamento não foi sorteado; ele foi definido pela equipe e pelo paciente, e os grupos foram acompanhados de forma prospectiva.

O principal desfecho foi a sobrevida livre de tratamento de resgate, ou seja, o tempo até o paciente precisar de um novo tratamento por causa do câncer. Também foram avaliados metástases, mortalidade, continência urinária e função erétil.

[Desenho do estudo HIFI. Esquema original do Hospital Certa elaborado a partir de Ploussard et al., Eur Urol, 2025.]

Desenho do estudo HIFI. Esquema original do Hospital Certa elaborado a partir de Ploussard et al., Eur Urol, 2025.

Principais achados

  • Em 30 meses, o controle do câncer com HIFU não foi inferior ao da prostatectomia, medido pela necessidade de tratamento de resgate.
  • Menos homens tiveram piora da continência urinária em 12 meses após o HIFU: 29%, contra 44% após a cirurgia.
  • A queda no escore de ereção (IIEF-5) foi menor após o HIFU (7 pontos) que após a cirurgia (13 pontos).
  • Complicações graves foram semelhantes entre os grupos. Cerca de 10% dos pacientes tiveram retenção urinária temporária após o HIFU.
  • Os pacientes tratados com HIFU eram em média quase dez anos mais velhos (74,7 contra 65,1 anos), e o tratamento não foi sorteado. Por isso os autores pedem cautela na interpretação.

[Continência e função erétil após HIFU e prostatectomia. Gráfico original do Hospital Certa com os dados de Ploussard et al., Eur Urol, 2025.]

Continência e função erétil após HIFU e prostatectomia. Gráfico original do Hospital Certa com os dados de Ploussard et al., Eur Urol, 2025.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo foi coordenado por urologistas franceses de diversos centros, com apoio do serviço de bioestatística do Hospital Universitário de Nîmes, e publicado na European Urology, a principal revista da Associação Europeia de Urologia.

Referência (Vancouver): Ploussard G, Coloby P, Chevallier T, Occéan BV, Houédé N, Villers A, et al. Whole-gland or subtotal high-intensity focused ultrasound versus radical prostatectomy: the prospective, noninferiority, nonrandomized HIFI trial. Eur Urol. 2025;87(5):526-33. doi:10.1016/j.eururo.2024.11.006

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para muitos homens, o medo da incontinência e da impotência pesa tanto quanto o próprio diagnóstico. Este é um dos maiores estudos prospectivos a mostrar que uma terapia ablativa pode controlar o câncer de próstata selecionado com resultado semelhante ao da cirurgia em médio prazo, com menos sequelas.

É importante entender os limites: o seguimento ainda é de médio prazo, os grupos tinham idades diferentes e o tratamento não foi sorteado. A terapia focal não serve para todos os tumores. Ela é indicada para cânceres localizados, bem caracterizados por ressonância magnética e biópsia, e exige seguimento com PSA e imagem. A decisão deve envolver urologista, radiologista intervencionista e o paciente.

O Hospital Certa Expert Care realiza a ablação focal do câncer de próstata em regime de hospital-dia, com equipe especializada em radiologia intervencionista e valores acessíveis. Para agendar uma avaliação, fale conosco pelo WhatsApp (11) 96625-5970 ou pelo telefone (11) 2548-6265.

Perguntas frequentes

O que é tratamento focal do câncer de próstata?

É a destruição apenas da área da próstata onde está o tumor, por calor, frio ou energia elétrica, preservando o restante da glândula e as estruturas responsáveis pela continência e pela ereção.

O Hospital Certa faz HIFU?

Não. O Certa realiza a ablação focal com radiofrequência, micro-ondas, crioablação ou eletroporação irreversível. O princípio é o mesmo do estudo, destruir o tumor sem retirar a próstata, com fontes de energia diferentes.

Quem pode fazer tratamento focal?

Em geral, homens com câncer localizado de risco baixo a intermediário, com tumor bem visível na ressonância e confirmado por biópsia. Cada caso precisa ser discutido individualmente.

Se o câncer voltar, ainda é possível operar?

Sim. Na maioria dos casos, a cirurgia, a radioterapia ou uma nova ablação continuam possíveis. Por isso o seguimento com PSA e ressonância é obrigatório.

O tratamento focal é tão seguro quanto a cirurgia?

Neste estudo, as complicações graves foram semelhantes e as sequelas urinárias e sexuais foram menores. O controle do câncer foi equivalente em 30 meses; resultados de longo prazo ainda estão sendo acompanhados.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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