Artrose avançada do joelho e sem opção de cirurgia? Um estudo avalia a ablação dos nervos para aliviar a dor preservando o movimento

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Artrose avançada do joelho e sem opção de cirurgia? Um estudo avalia a ablação dos nervos para aliviar a dor preservando o movimento

Artrose avançada do joelho e sem opção de cirurgia? Um estudo avalia a ablação dos nervos para aliviar a dor preservando o movimento

Artrose avançada do joelho e sem opção de cirurgia? Um estudo avalia a ablação dos nervos para aliviar a dor preservando o movimento

Uma série de casos publicada na revista BioMed Research International avaliou duas técnicas minimamente invasivas de ablação dos nervos do joelho — por radiofrequência e por neurólise química (álcool) — em cinco pacientes com artrose avançada (graus 3 e 4), com dor sem resposta ao tratamento conservador e sem condições ou desejo de operar. Usando uma abordagem “poupadora da função motora” (motor-sparing), os autores observaram redução importante da dor e da rigidez em 1 semana e 1 mês, sem déficit de força ou de sensibilidade.

No Hospital Certa, o tratamento minimamente invasivo da dor no joelho reúne diferentes técnicas guiadas por imagem — a radiofrequência e a neurólise química dos nervos do joelho e a embolização da artéria genicular —, indicadas conforme o perfil, o estágio da artrose e a origem da dor de cada paciente.

O que o estudo investigou

Na artrose avançada do joelho (graus 3 e 4), a cirurgia de prótese total ainda é o tratamento padrão. Mas nem todos os pacientes podem operar: alguns têm risco cirúrgico ou anestésico elevado, outros recusam a cirurgia ou enfrentam longas filas de espera. Para essas pessoas, quando as medidas conservadoras (medicação, fisioterapia, infiltrações) já não controlam a dor, sobram poucas alternativas.

Uma dessas alternativas é a ablação (ou denervação) dos nervos que transmitem a dor do joelho — um procedimento que “desliga” esses sinais dolorosos. O desafio é fazer isso sem afetar a força muscular. Este estudo avaliou justamente uma abordagem “poupadora da função motora” (motor-sparing), com pontos de referência ajustados para atingir apenas os ramos sensitivos, comparando duas formas de realizá-la: a radiofrequência (calor) e a neurólise química (álcool).

Como o estudo foi feito

Foi uma série de casos com cinco pacientes com artrose de joelho grau 3 ou 4, dor moderada a intensa sem resposta ao tratamento conservador e considerados inoperáveis ou que recusaram a cirurgia. Todos tinham confirmação de que a dor vinha da articulação, atestada por um bloqueio anestésico diagnóstico prévio (melhora de pelo menos 50% no questionário WOMAC).

Três pacientes foram tratados com radiofrequência e dois com neurólise química (álcool). Os procedimentos foram guiados por ultrassom e fluoroscopia (raio-X em tempo real) e miraram os ramos sensitivos do joelho — como os nervos geniculares superomedial, inferomedial e superolateral, ramos do nervo do vasto intermédio e o ramo infrapatelar do nervo safeno —, com pontos de referência ajustados para preservar a função motora. A evolução foi medida pelo questionário WOMAC (dor, rigidez e função) antes do procedimento, em 1 semana e em 1 mês.

Figura 1. Esquema ilustrativo dos principais alvos da ablação dos nervos sensitivos do joelho (visão frontal). Representação própria do Hospital Certa, com finalidade didática; não corresponde a uma figura do artigo original.

Principais achados

  • ✓ O WOMAC total médio (de 96 pontos) caiu de 63 para 39,6 em 1 semana (−37%) e para 31 em 1 mês (−51%).
  • ✓ A dor caiu de 15,6 (de 20) para 7,8 em 1 semana (−50%) e para 5,8 em 1 mês (−63%).
  • ✓ A rigidez melhorou de 5 (de 8) para 2,4 (−52%) e depois 1,6 (−68%).
  • ✓ A função melhorou de forma mais modesta — de 42,4 (de 68) para 29,4 (−31%) e depois 21,6 (−49%).
  • ✓ No grupo tratado com radiofrequência (3 pacientes), o WOMAC total caiu cerca de 54% em 1 mês; no grupo tratado com álcool (2 pacientes), cerca de 49% — resultados considerados semelhantes entre as duas técnicas.
  • ✓ O exame neurológico não mostrou déficit de força (motor) nem de sensibilidade, e não houve infecção da ferida.
  • ✓ Não foram observadas neurite transitória nem piora inicial da dor (“flare-up”) na primeira semana.

Figura 2. Evolução do WOMAC total médio (0–96; quanto menor, melhor) antes do procedimento, em 1 semana e em 1 mês. Gráfico elaborado pelo Hospital Certa a partir dos dados de Ng et al., BioMed Research International, 2022 (licença CC BY).

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo foi conduzido por Tony Kwun-tung Ng, King Hei Stanley Lam e Abdallah El-Sayed Allam, a partir do Tuen Mun Hospital (Hong Kong), com colaboradores de Taiwan, Egito e Espanha, e publicado em 2022 na revista BioMed Research International — periódico de acesso aberto (open access).

Referência (Vancouver): Ng TKT, Lam KHS, El-Sayed Allam A. Motor-Sparing Neural Ablation with Modified Techniques for Knee Pain: Case Series on Knee Osteoarthritis and Updated Review of the Underlying Anatomy and Available Techniques. Biomed Res Int. 2022;2022:2685898.

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para quem tem artrose avançada do joelho, dor sem controle com o tratamento conservador e não pode ou não deseja operar, este estudo aponta um caminho promissor: a ablação dos nervos do joelho, feita de forma minimamente invasiva e com uma técnica que preserva a força muscular, reduziu de maneira expressiva a dor e a rigidez em poucas semanas. Um dado interessante é que as duas formas de fazer o procedimento — radiofrequência e álcool — tiveram resultados semelhantes.

Há, porém, limites importantes a considerar. Trata-se de uma série de apenas cinco pacientes, sem grupo de comparação, com avaliação não cega e acompanhamento curto (um mês) — um nível de evidência ainda inicial. A própria melhora da função foi mais discreta do que a da dor, e a ablação alivia a dor, mas não interrompe o desgaste da articulação. Os próprios autores recomendam estudos maiores e randomizados para confirmar os resultados. A boa seleção do paciente, com o bloqueio diagnóstico prévio, continua sendo decisiva, e a escolha do tratamento deve ser sempre individualizada.

No Hospital Certa, essas técnicas de ablação dos nervos do joelho — por radiofrequência e por neurólise química —, assim como a embolização da artéria genicular, estão disponíveis, realizadas por equipe especializada em radiologia intervencionista e com valores acessíveis, ampliando as alternativas para quem convive com dor no joelho e não tem indicação de cirurgia.

Perguntas frequentes

O que é a ablação (denervação) dos nervos do joelho?

É um procedimento minimamente invasivo, guiado por imagem, que interrompe os sinais de dor transmitidos pelos pequenos nervos sensitivos do joelho — sem cortes e sem substituir a articulação.

O que significa a abordagem “poupadora da função motora” (motor-sparing)?

Significa mirar apenas os nervos que levam a dor, ajustando os pontos de referência para não atingir os nervos responsáveis pela força dos músculos. O objetivo é aliviar a dor sem prejudicar a movimentação do joelho.

Qual a diferença entre radiofrequência e neurólise química (álcool)?

As duas interrompem os nervos da dor, mas por meios diferentes: a radiofrequência usa calor controlado, e a neurólise química usa álcool. Neste estudo, os resultados foram semelhantes; a escolha depende do caso, da estrutura disponível e das condições clínicas do paciente.

Quem pode se beneficiar do procedimento?

Pacientes com artrose avançada do joelho e dor persistente apesar do tratamento conservador, especialmente aqueles sem indicação de cirurgia ou que preferem adiá-la — e que apresentam boa resposta ao bloqueio anestésico diagnóstico prévio.

A ablação dos nervos cura a artrose ou substitui a prótese?

Não. Ela alivia a dor, mas não corrige nem interrompe o desgaste da articulação. É uma alternativa para controle da dor, sobretudo quando a cirurgia não é possível ou desejada — sempre com avaliação individualizada.

Quais são os riscos e as limitações?

No estudo, o procedimento foi bem tolerado, sem déficit de força ou de sensibilidade e sem piora inicial da dor. Vale lembrar que se trata de uma série pequena, com seguimento curto — os benefícios a longo prazo ainda precisam ser confirmados por estudos maiores.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar (scholar.google.com/citations?user=11MgKEEAAAAJ) e o currículo completo na Plataforma Lattes (lattes.cnpq.br/5784659077054234).

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