Metástase de intestino no fígado: quando a agulha pode substituir o bisturi?

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Metástase de intestino no fígado: quando a agulha pode substituir o bisturi?

Metástase de intestino no fígado: quando a agulha pode substituir o bisturi?

Metástase de intestino no fígado: quando a agulha pode substituir o bisturi?

Uma meta-análise com 29 estudos e 5.719 pacientes comparou a ablação térmica com a cirurgia no tratamento das metástases de câncer de intestino no fígado. A cirurgia teve melhores resultados no geral, mas nas lesões menores que 3 cm não houve diferença de sobrevida, e a ablação por micro-ondas foi equivalente à cirurgia.

“O Hospital Certa realiza a ablação térmica percutânea de metástases hepáticas, com micro-ondas ou radiofrequência, guiada por imagem. Conhecer em quais situações a ablação se equipara à cirurgia é essencial para indicar o tratamento certo para cada paciente.”

O que o estudo investigou

Cerca de metade dos pacientes com câncer de intestino (colorretal) desenvolve metástases no fígado em algum momento da doença. A cirurgia para retirar essas lesões é o tratamento padrão quando possível, mas nem todos os pacientes podem ou querem ser operados.

A ablação térmica destrói a metástase por calor, com uma agulha introduzida pela pele. Os autores quiseram atualizar a comparação entre ablação e cirurgia, incorporando os ensaios clínicos randomizados mais recentes, e descobrir em quais situações a ablação tem resultados semelhantes.

Como o estudo foi feito

Foi feita uma revisão sistemática nas bases PubMed, Embase e Web of Science, seguida de meta-análise, técnica que combina estatisticamente os resultados de vários estudos. Foram incluídos 29 estudos, com 5.719 pacientes.

Os autores compararam a sobrevida global, a sobrevida livre de doença e a volta do tumor no local tratado, e analisaram separadamente o tipo de energia (radiofrequência ou micro-ondas) e o tamanho das lesões (menores que 3 cm ou de 3 cm ou mais). A qualidade da evidência foi avaliada pelo sistema GRADE.

[Desenho da meta-análise. Esquema original do Hospital Certa elaborado a partir de Ansab et al., Transl Cancer Res, 2025.]

Desenho da meta-análise. Esquema original do Hospital Certa elaborado a partir de Ansab et al., Transl Cancer Res, 2025.

Principais achados

  • No conjunto de todos os estudos, a cirurgia teve sobrevida melhor que a ablação.
  • Nas lesões menores que 3 cm, não houve diferença significativa de sobrevida entre ablação e cirurgia.
  • A ablação por micro-ondas não foi inferior à cirurgia em sobrevida. A desvantagem apareceu principalmente com a radiofrequência.
  • Nas lesões de 3 cm ou mais, a cirurgia teve sobrevida melhor.
  • A volta do tumor no mesmo ponto tratado foi cerca de três vezes mais frequente após a ablação; a volta da doença em outros locais foi semelhante.

[Riscos da ablação em relação à cirurgia (valores acima de 1 favorecem a cirurgia). Gráfico original do Hospital Certa com os dados de Ansab et al., Transl Cancer Res, 2025.]

Riscos da ablação em relação à cirurgia (valores acima de 1 favorecem a cirurgia). Gráfico original do Hospital Certa com os dados de Ansab et al., Transl Cancer Res, 2025.

Onde foi feito e onde foi publicado

O trabalho foi realizado por pesquisadores do Paquistão, da Índia e dos Estados Unidos, incluindo a divisão de oncologia da University of Pittsburgh Medical Center, e publicado em novembro de 2025 no Translational Cancer Research, revista internacional de oncologia revisada por pares.

Referência (Vancouver): Ansab M, Razi S, Rath S, Alam U, Ramzan NUH, Burhan M, et al. Thermal ablation versus surgical resection for colorectal liver metastases: a Grading of Recommendations, Assessment, Development, and Evaluation (GRADE)-assessed systematic review, survival meta-analysis, and meta-regression. Transl Cancer Res. 2025;14(11):7563-79. doi:10.21037/tcr-2025-1726

Por que isso importa para a saúde do paciente

O estudo traz uma mensagem equilibrada: a cirurgia continua sendo o padrão para muitas metástases, mas a ablação por micro-ondas, em lesões pequenas e bem selecionadas, oferece resultados de sobrevida semelhantes, com um procedimento muito menos agressivo.

O maior risco de a lesão voltar no ponto tratado mostra que a técnica exige planejamento preciso, margens adequadas e controle por imagem, e que a indicação deve ser feita em equipe multidisciplinar, com oncologista, cirurgião e radiologista intervencionista. Para muitos pacientes, especialmente os que têm risco cirúrgico alto ou lesões pequenas em locais de difícil acesso, a ablação pode ser a melhor escolha.

O Hospital Certa Expert Care realiza a ablação térmica de metástases hepáticas em regime de hospital-dia, com equipe especializada em radiologia intervencionista e valores acessíveis. Para agendar uma avaliação, fale conosco pelo WhatsApp (11) 96625-5970 ou pelo telefone (11) 2548-6265.

Perguntas frequentes

O que é ablação por micro-ondas?

É a destruição do tumor pelo calor gerado por ondas eletromagnéticas, aplicadas por uma agulha introduzida pela pele e guiada por tomografia ou ultrassom.

Por que o tamanho da lesão importa tanto?

Quanto maior a lesão, mais difícil é destruí-la por completo com uma margem de segurança. Por isso, os melhores resultados da ablação aparecem em lesões menores que 3 cm.

Se a lesão voltar no local, o que acontece?

Em muitos casos é possível tratar novamente, com nova ablação ou com cirurgia. Por isso o acompanhamento com exames de imagem é essencial.

A ablação pode ser combinada com a cirurgia?

Sim. Em pacientes com várias metástases, é comum operar algumas lesões e fazer ablação em outras, preservando mais fígado saudável.

Quanto tempo dura a recuperação?

A ablação percutânea costuma permitir alta no mesmo dia ou no dia seguinte, com retorno às atividades em poucos dias, o que facilita a continuidade da quimioterapia quando indicada.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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