Ablação da próstata por radiofrequência: o mesmo alívio dos sintomas que o laser, em menos tempo?

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Ablação da próstata por radiofrequência: o mesmo alívio dos sintomas que o laser, em menos tempo?

Ablação da próstata por radiofrequência: o mesmo alívio dos sintomas que o laser, em menos tempo?

Ablação da próstata por radiofrequência: o mesmo alívio dos sintomas que o laser, em menos tempo?

Um estudo publicado em 2026 na revista CardioVascular and Interventional Radiology comparou duas formas de tratar a próstata aumentada por uma agulha introduzida pelo períneo, sem cortes: a radiofrequência e o laser. Após 12 meses, as duas técnicas aliviaram os sintomas urinários de forma semelhante, mas a radiofrequência levou cerca de 22 minutos a menos por procedimento. O estudo cita a experiência brasileira com a técnica, publicada por nossa equipe na mesma revista.

“No Hospital Certa, realizamos a ablação térmica transperineal da próstata por radiofrequência em regime ambulatorial. Nossa experiência, publicada na CardioVascular and Interventional Radiology em 2025, foi uma das referências usadas por este estudo para discutir a técnica.”

O que o estudo investigou

A hiperplasia prostática benigna é o aumento não canceroso da próstata e a causa mais comum de dificuldade para urinar em homens de meia-idade e idosos. Ela provoca jato fraco, urgência, vontade frequente de urinar à noite e, nos casos mais graves, retenção urinária.

Entre os tratamentos minimamente invasivos, a ablação transperineal destrói parte do tecido que comprime a uretra usando calor, aplicado por uma agulha fina introduzida pelo períneo (a região entre o escroto e o ânus) e guiada por ultrassom. O calor pode vir de uma fibra de laser ou de um eletrodo de radiofrequência. O laser foi mais estudado até agora, mas costuma exigir de duas a quatro fibras por paciente. O estudo comparou o laser com fibra única à radiofrequência em eficácia, segurança e tempo de procedimento.

Como o estudo foi feito

Foi um estudo retrospectivo com 36 homens tratados entre julho de 2021 e maio de 2024 em Pequim. Todos tinham sintomas moderados a graves (escore IPSS igual ou maior que 8) sem resposta ou com intolerância aos remédios, e próstata maior que 30 mL. Os grupos foram definidos pelo equipamento disponível em cada período: 16 pacientes fizeram laser com fibra única, até outubro de 2023, e 20 fizeram radiofrequência, depois que o aparelho chegou ao hospital.

Os dois procedimentos seguiram o mesmo protocolo: acesso pelo períneo guiado por ultrassom transretal, anestesia local com sedação, sonda vesical com lavagem da bexiga e alta no dia seguinte, com a primeira tentativa de retirada da sonda no sétimo dia. O resultado foi avaliado aos 6 e 12 meses pelo escore de sintomas (IPSS), qualidade de vida, volume da próstata, fluxo urinário e urina que sobra na bexiga após urinar (resíduo pós-miccional).

Desenho do estudo. Figura original do Hospital Certa, elaborada a partir de Han et al., Cardiovasc Intervent Radiol, 2026.

Principais achados

  • ✓ As duas técnicas melhoraram de forma significativa todos os indicadores aos 6 e 12 meses. O escore de sintomas caiu de cerca de 24 para 5,5 pontos nos dois grupos, e a qualidade de vida melhorou de forma semelhante.
  • ✓ Não houve diferença estatística entre radiofrequência e laser em nenhum dos resultados clínicos após 12 meses: sintomas, qualidade de vida, volume da próstata, fluxo urinário e resíduo pós-miccional.
  • ✓ A radiofrequência foi mais rápida: 31,5 minutos de procedimento, contra 53,9 minutos com o laser, e 7,4 minutos de ablação, contra 15,9 minutos.
  • ✓ A radiofrequência tratou um volume maior de tecido (mediana de 17,9 mL contra 8,7 mL), sem que isso resultasse em maior alívio dos sintomas.
  • ✓ As complicações foram semelhantes (20% com radiofrequência e 25% com laser), principalmente retenção urinária ao tirar a sonda no sétimo dia, resolvida com nova sondagem. Não houve estreitamento da uretra nem lesão dos ductos ejaculatórios.
  • ✓ Os 10 pacientes que dependiam de sonda antes do tratamento voltaram a urinar sozinhos.

Escore de sintomas e tempos de procedimento nos dois grupos. Figura original do Hospital Certa com dados de Han et al., Cardiovasc Intervent Radiol, 2026.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo “Comparison of Single Fiber Transperineal Laser Ablation and Radiofrequency Ablation in the Treatment of Benign Prostatic Hyperplasia” foi conduzido por Xiao Han, Yan Zhang, Xian-Quan Shi e colaboradores, dos departamentos de Ultrassonografia e Urologia do Beijing Friendship Hospital, da Capital Medical University, em Pequim, na China. Foi publicado em 2026 na CardioVascular and Interventional Radiology (CVIR), revista oficial da Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista (CIRSE).

Os autores citam o estudo brasileiro do Dr. Thiago Nunes e Dr. Denis Szejnfeld e colaboradores, publicado na mesma revista em 2025, que mostrou a viabilidade da ablação da próstata por radiofrequência em regime ambulatorial, e a resposta dos dois autores ao comentário sobre esse estudo.

Referências (Vancouver):

  1. Han X, Yang P, Zhao X, Li R, Xiao J, Shen H, et al. Comparison of single fiber transperineal laser ablation and radiofrequency ablation in the treatment of benign prostatic hyperplasia. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026;49:1851-61. doi:10.1007/s00270-026-04490-8
  2. Nunes TF, Rocha RD, Ilgenfritz BRW, Stefanini FS, Fornazari VAV, Mariotti GC, et al. Ultrasound-guided transperineal prostate thermal ablation (TPTA) for benign prostatic hyperplasia: feasibility of an outpatient procedure using radiofrequency ablation. Cardiovasc Intervent Radiol. 2025;48(10):1455-66. doi:10.1007/s00270-024-03958-9
  3. Szejnfeld D, Nunes TF. Response to commentary ‘Ultrasound-guided transperineal prostate thermal ablation (TPTA) for benign prostatic hyperplasia: feasibility of an outpatient procedure using radiofrequency ablation’. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026;49(1):159-60. doi:10.1007/s00270-025-04220-6

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para homens com próstata aumentada que não melhoram com remédios, a ablação transperineal é uma opção sem cortes e sem passar instrumentos pela uretra. Este estudo sugere que a radiofrequência alivia os sintomas tanto quanto o laser, com um procedimento mais curto. Menos tempo de procedimento pode tornar a experiência mais confortável, embora o conforto dos pacientes não tenha sido medido diretamente.

O protocolo faz diferença. Neste estudo, os pacientes passaram a noite internados e a sonda foi retirada de forma padronizada no sétimo dia, o que os autores associam à taxa relativamente alta de retenção urinária (15% a 19%). No estudo brasileiro citado pelos autores, com sedação e bloqueio anestésico dos nervos da região, todos os 25 pacientes tiveram alta em até 3 horas, 64% saíram sem sonda e, segundo os autores chineses, não houve casos de retenção urinária aguda. Os protocolos são diferentes e os estudos não são diretamente comparáveis.

As limitações também precisam ser consideradas: o estudo é pequeno, retrospectivo e não randomizado, e os grupos foram tratados em períodos diferentes. Os próprios autores ressaltam que a ausência de diferença estatística não prova que as técnicas sejam equivalentes e que estudos maiores e randomizados são necessários. A escolha do tratamento deve considerar o tamanho e o formato da próstata, os sintomas e as preferências de cada paciente, em conjunto com o urologista.

Perguntas frequentes

O que é a ablação transperineal da próstata?

É um tratamento minimamente invasivo em que uma agulha fina é introduzida pela pele do períneo até a próstata, guiada por ultrassom, para destruir com calor o tecido que comprime a uretra. Não há cortes e nenhum instrumento passa pela uretra.

Qual a diferença entre radiofrequência e laser?

As duas destroem o tecido com calor, mas por fontes de energia diferentes. Neste estudo, a radiofrequência tratou um volume maior de tecido em menos tempo, e o alívio dos sintomas após 12 meses foi semelhante.

Quem pode ser candidato?

Homens com sintomas urinários moderados a graves causados pelo aumento benigno da próstata, que não melhoraram ou não toleraram os remédios. A avaliação inclui exames de imagem, PSA e, quando necessário, biópsia para afastar câncer.

Vou precisar usar sonda depois?

Depende do protocolo e de cada caso. No estudo chinês, todos saíram com sonda e a retirada foi tentada no sétimo dia. Na experiência brasileira publicada com radiofrequência ambulatorial, a maioria dos pacientes teve alta sem sonda.

O tratamento afeta a ejaculação ou a ereção?

Neste estudo, nenhum paciente teve lesão dos ductos ejaculatórios ou estreitamento da uretra. A função sexual não foi avaliada neste estudo, e esse ponto deve ser discutido individualmente com a equipe.

Os resultados são duradouros?

O estudo acompanhou os pacientes por 12 meses, com melhora mantida nesse período. Estudos com laser transperineal mostram benefício por pelo menos 3 anos; para a radiofrequência, os dados de longo prazo ainda são limitados.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista, em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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