Osteoartrite do joelho: o que acontece dentro da articulação e por que a dor piora com o tempo
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“Entender o que acontece dentro do joelho com a osteoartrite muda a forma como o paciente enxerga a própria doença — e o motiva a agir antes que o desgaste avance. No Hospital Certa, acreditamos que informação é parte do tratamento.”
— Equipe médica do Hospital Certa Expert Care
A osteoartrite do joelho — também conhecida como artrose ou artrite do joelho — costuma ser descrita como uma doença de “desgaste”. Essa definição não está errada, mas é incompleta. O que acontece dentro da articulação é um processo muito mais complexo: envolve destruição da cartilagem, inflamação da membrana sinovial, alterações no osso e, com o tempo, um ciclo vicioso que se auto-alimenta e acelera a progressão da dor.
Entender esse processo não é apenas curiosidade científica. Para o paciente, compreender por que a osteoartrite do joelho piora com o tempo é o que ajuda a entender por que o tratamento precoce faz diferença — e por que esperar a dor se tornar insuportável pode significar perder a janela de oportunidade para abordagens menos invasivas.
O joelho é a maior articulação do corpo humano. Para funcionar bem, ele depende de uma combinação precisa de estruturas:
Na osteoartrite do joelho, esse equilíbrio é progressivamente rompido — começando, geralmente, pela cartilagem articular.
A cartilagem articular é composta principalmente por colágeno e proteoglicanos — moléculas que retêm água e conferem elasticidade ao tecido. Com o envelhecimento, sobrecarga repetitiva, lesões anteriores ou fatores genéticos, a cartilagem começa a perder água e elasticidade. Suas fibras de colágeno se fragmentam, a superfície — antes lisa — torna-se irregular e áspera.
Nos estágios iniciais, esse desgaste é silencioso. A cartilagem não tem nervos nem vasos sanguíneos próprios, por isso não dói diretamente. A dor começa a aparecer quando as alterações alcançam as estruturas ao redor — o osso subcondral, a membrana sinovial, os ligamentos e a cápsula articular.
À medida que a cartilagem se fragmenta, partículas microscópicas caem dentro da articulação. A membrana sinovial — que reveste internamente o joelho — reconhece esses fragmentos como “corpos estranhos” e desencadeia uma resposta inflamatória. O joelho fica quente, inchado e mais dolorido.
Esse processo inflamatório, chamado de sinovite, libera substâncias que aceleram ainda mais a destruição da cartilagem. O resultado é um ciclo vicioso: o desgaste gera inflamação, a inflamação aumenta o desgaste, e assim por diante. Estudos recentes publicados em revistas como a Revista Brasileira de Ortopedia (2024) confirmam que a OA do joelho é simultaneamente uma doença degenerativa e inflamatória — e que tratar a inflamação é tão importante quanto proteger a cartilagem.
Com a perda da cartilagem, o osso subcondral fica exposto a cargas que normalmente seriam absorvidas. Em resposta, o osso se espessa (esclerose subcondral) e pode desenvolver cistos. Nas bordas da articulação, crescem protuberâncias ósseas chamadas osteófitos — popularmente conhecidos como “bicos de papagaio”.
Os osteófitos são uma tentativa do organismo de estabilizar a articulação deteriorada, mas frequentemente agravam a dor e limitam a amplitude de movimento do joelho.
Na osteoartrite avançada, ocorre um fenômeno chamado sensibilização central: o sistema nervoso — que passou anos processando sinais de dor crônica do joelho — torna-se hipersensível. A dor deixa de ser proporcional ao dano articular e passa a responder de forma amplificada a estímulos que antes não doíam.
Além disso, pesquisas mostram que na osteoartrite ocorre um crescimento anormal de fibras nervosas em regiões da articulação que normalmente não as possuem — incluindo o interior da cartilagem e os vasos sanguíneos sinoviais. Esses novos nervos contribuem diretamente para a dor crônica no joelho — e são exatamente o alvo dos procedimentos de bloqueio dos nervos geniculares realizados por radiologistas intervencionistas.
A osteoartrite do joelho é uma doença progressiva porque os mecanismos que a alimentam se reforçam mutuamente. Uma vez instalado o ciclo de desgaste-inflamação-desgaste, ele tende a se perpetuar — especialmente na ausência de tratamento.
Fatores externos aceleram esse processo: sedentarismo (a fraqueza muscular aumenta a carga sobre a cartilagem), excesso de peso, tabagismo e ausência de tratamento anti-inflamatório adequado. Por outro lado, intervenções precoces — sejam conservadoras ou minimamente invasivas — podem desacelerar significativamente esse ciclo.
Alguns sinais indicam que a osteoartrite do joelho está avançando e que o tratamento atual pode precisar ser reavaliado:
⚠️ Fique atento a estes sinais de progressão:
Se você identificar qualquer um desses sinais, é o momento de buscar avaliação médica especializada — não para confirmar que a doença progrediu, mas para ajustar o plano de tratamento antes que o dano avance ainda mais.
A osteoartrite do joelho não tem cura no sentido de reversão do dano já instalado. Mas o tratamento correto no momento certo pode desacelerar a progressão, controlar a dor e preservar a função articular por anos — evitando ou adiando a necessidade de cirurgia de prótese.
Nos graus iniciais (1 e 2), o foco está em controlar os fatores que aceleram o desgaste: perda de peso, fortalecimento muscular, fisioterapia e, quando necessário, medicamentos anti-inflamatórios. Nos graus intermediários (2 e 3), os procedimentos minimamente invasivos entram com papel central — atuando diretamente sobre a inflamação sinovial e a dor nervosa sem necessidade de cirurgia aberta.
No Hospital Certa Expert Care, a avaliação individualizada pela equipe médica define, para cada paciente com dor crônica no joelho por osteoartrite, o melhor caminho: da fisioterapia às infiltrações articulares guiadas por imagem, do bloqueio dos nervos geniculares à embolização da artéria genicular — todos realizados em regime ambulatorial, com alta no mesmo dia.
A cartilagem articular tem capacidade regenerativa muito limitada em adultos, pois não possui vascularização própria. Tratamentos como infiltrações de plasma rico em plaquetas (PRP) buscam estimular mecanismos de reparo, mas não revertem danos avançados. Por isso, a preservação da cartilagem existente — por meio do controle da inflamação e da sobrecarga — é mais eficaz do que tentar regenerá-la.
O acúmulo de líquido no joelho (derrame articular) é resultado da sinovite — a inflamação da membrana sinovial. Em resposta à irritação causada pelos fragmentos de cartilagem e pelas citocinas inflamatórias, a membrana produz líquido em excesso. Esse derrame causa inchaço, sensação de peso e limitação de movimento. Em alguns casos, é necessário drenar o líquido e aplicar medicamento anti-inflamatório diretamente na articulação.
Os osteófitos (“bicos de papagaio”) são uma resposta do osso à instabilidade articular causada pela osteoartrite. Sozinhos, não determinam a gravidade da dor — dois pacientes com o mesmo grau de osteófito no raio-X podem ter experiências de dor completamente diferentes. O tratamento não visa remover os osteófitos, mas controlar o processo inflamatório e aliviar a dor.
O frio causa contração dos tecidos ao redor da articulação, incluindo músculos, tendões e a cápsula articular, o que aumenta a rigidez e a sensação de dor. Além disso, variações de pressão atmosférica associadas a mudanças climáticas podem afetar a pressão dentro da articulação, amplificando os sintomas em pacientes com osteoartrite do joelho.
O tratamento da osteoartrite do joelho é multidisciplinar. O ortopedista avalia e estadeia a doença. O reumatologista contribui no controle da inflamação. O fisioterapeuta é fundamental para o fortalecimento muscular e a reabilitação. E o radiologista intervencionista realiza os procedimentos minimamente invasivos — infiltrações guiadas por imagem, bloqueio dos nervos geniculares e embolização da artéria genicular — que podem oferecer alívio duradouro quando os tratamentos conservadores não são suficientes. No Hospital Certa, todas essas competências estão integradas.
O conteúdo desta página foi elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld, doutor pela Unifesp, onde é professor afiliado e coordenador do setor de Radiologia Intervencionista Vascular. Ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024), é portador de três títulos de especialista: Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Suas publicações científicas, incluindo artigos na revista europeia CVIR, estão disponíveis no Google Scholar e no Lattes. O Hospital Certa tem avaliação ⭐⭐⭐⭐⭐ no Google, baseada na experiência de nossos pacientes.
Osteoartrite do joelho: o que acontece dentro da articulação e por que a dor piora com o tempo
