Aneurisma cerebral não roto: tratar agora ou acompanhar? Como essa decisão é tomada
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“A decisão de tratar ou acompanhar um aneurisma não roto é uma das mais complexas da neurorradiologia intervencionista. Não existe resposta única — existe a resposta certa para cada paciente específico. No Hospital Certa, essa decisão é sempre tomada em equipe, com critérios objetivos e com o paciente plenamente informado.”
— Equipe médica do Hospital Certa Expert Care
Para muitos pacientes, receber a notícia de que têm um aneurisma cerebral não roto e ao mesmo tempo ouvir que “não precisa tratar agora” parece contraditório — quase irresponsável. Se há um risco de ruptura, por que não eliminar imediatamente?
A resposta está em uma equação complexa: o risco de ruptura do aneurisma versus o risco do próprio tratamento. Todo procedimento endovascular ou cirúrgico em vasos cerebrais carrega riscos — de sangramento, trombose, complicações neurológicas. Para aneurismas com risco muito baixo de romper, esses riscos de tratamento podem ser maiores do que o risco de deixar o aneurisma sob vigilância.
Entender como essa decisão é tomada — quais fatores pesam a favor do tratamento e quais pesam a favor do acompanhamento — é o que permite ao paciente participar ativamente da conversa com sua equipe médica.
O risco de ruptura de um aneurisma cerebral não roto é, para a maioria dos casos, surpreendentemente baixo. Estudos de coorte estimam que apenas 1 em cada 300 a 500 portadores de aneurisma sofrerá uma ruptura por ano. Em termos absolutos, o risco anual médio de ruptura para aneurismas pequenos (menores que 7 mm) em localizações de baixo risco é de cerca de 0,1% ao ano.
Mas esse número médio esconde uma enorme variação: o risco pode ser 50 a 100 vezes maior em aneurismas grandes, de localização desfavorável, em pacientes tabagistas com hipertensão descontrolada — do que em aneurismas pequenos, regulares, em pacientes jovens e sem fatores de risco.
É justamente por isso que a decisão não pode ser tomada com base apenas no diagnóstico de “aneurisma” — ela exige uma análise detalhada de múltiplos fatores de risco específicos do paciente e do aneurisma.
O escore PHASES é o instrumento mais utilizado internacionalmente para estimar o risco de ruptura de um aneurisma cerebral não roto. Ele considera seis fatores — cada letra do acrônimo representa um:
| Fator (PHASES) | Característica | Impacto no risco |
|---|---|---|
| P — Population | Finlandês ou japonês | Risco 2–4x maior |
| H — Hypertension | Hipertensão arterial | Aumenta risco de ruptura |
| A — Age | < 70 anos | Maior risco do que ≥ 70 anos |
| S — Size | < 7 mm / 7–9,9 mm / ≥ 10 mm | Risco cresce com o tamanho |
| E — Earlier SAH | Hemorragia prévia por outro aneurisma | Aumenta significativamente o risco |
| S — Site | Artéria comunicante posterior, ACoA, ACoP | Localizações de maior risco |
Com base na pontuação total do PHASES, o risco de ruptura em 5 anos varia de menos de 0,4% (baixo risco) a mais de 7% (alto risco). Um aneurisma pequeno, regular, em paciente sem histórico de sangramento e sem hipertensão tem risco muito diferente de um aneurisma grande, irregular, com histórico de hemorragia prévia por outro aneurisma.
O tamanho é frequentemente o primeiro fator que o paciente ouve — “7 mm é o limite” é uma simplificação muito usada. Mas a realidade clínica é mais complexa. Além do tamanho, os fatores mais relevantes para a decisão de tratar incluem:
Formato irregular do aneurisma: aneurismas com “brotamentos” (blebs) ou contorno lobulado têm risco de ruptura significativamente maior do que aneurismas de formato regular. Estudos mostram que o crescimento detectado em um aneurisma eleva o risco de ruptura de 1 ano para 2,1 a 10,6%.
Localização: aneurismas na artéria comunicante posterior (ACoP) e na artéria comunicante anterior (ACoA) têm risco maior do que aneurismas na artéria cerebral média ou na artéria carótida interna supraclinóide.
Crescimento ao longo do acompanhamento: um aneurisma que cresce 1 mm ou mais entre dois exames de controle tem risco de ruptura muito aumentado — e esse crescimento é indicação forte de tratamento preventivo.
Sintomas por efeito de massa: aneurisma que causa paralisia do nervo oculomotor (queda da pálpebra, visão dupla) está comprimindo estruturas importantes — o que também favorece o tratamento.
Tabagismo ativo: é o fator de risco modificável com maior impacto na ruptura. Pacientes que continuam fumando têm risco de ruptura significativamente maior — e a cessação do tabagismo é parte obrigatória do manejo.
Em contrapartida, alguns fatores favorecem a conduta expectante — tratar com acompanhamento periódico em vez de intervenção imediata:
Além do PHASES, o escore UIATS (Unruptured Intracranial Aneurysm Treatment Score) vai além e pondera simultaneamente os fatores que favorecem o tratamento e os que favorecem o acompanhamento — gerando uma recomendação mais balanceada. Ele considera fatores do paciente (idade, comorbidades, histórico familiar), do aneurisma (tamanho, localização, formato, crescimento) e do tratamento (complexidade técnica, disponibilidade de expertise).
O UIATS é hoje uma das ferramentas mais utilizadas por equipes de neurologia intervencionista para estruturar a discussão com o paciente e documentar o raciocínio clínico da decisão.
“Acompanhar” não significa ignorar o aneurisma. Significa monitorar com rigor para detectar precocemente qualquer mudança que indique aumento de risco. O protocolo de acompanhamento típico para aneurisma não roto de baixo risco inclui:
Paralelamente ao acompanhamento por imagem, o controle rigoroso dos fatores de risco modificáveis é obrigatório: controle da pressão arterial (meta < 120 mmHg, conforme estudo PROTECT-U em andamento), cessação do tabagismo, moderação do álcool e suspensão de drogas estimulantes.
A decisão de tratar pode mudar ao longo do acompanhamento. Os principais gatilhos para indicar tratamento de um aneurisma previamente em acompanhamento são:
⚠️ Indicadores de mudança para tratamento ativo:
Não existe algoritmo que substitua a avaliação individualizada por uma equipe especializada em neurologia intervencionista. A decisão ideal é compartilhada — o médico apresenta os dados de risco com objetividade, e o paciente expressa suas preferências, suas preocupações e seu nível de tolerância à incerteza.
Um paciente jovem, ativo, com aneurisma de 7 mm e formato irregular pode optar pelo tratamento preventivo para eliminar a incerteza. Um paciente de 75 anos, com múltiplas comorbidades e o mesmo aneurisma, pode razoavelmente optar pelo acompanhamento. Ambas as decisões podem ser corretas — dependendo do contexto.
No Hospital Certa Expert Care, a avaliação do aneurisma cerebral não roto utiliza os escores PHASES e UIATS como base, combinados com a análise detalhada da arteriografia por rotação 3D — que fornece dados morfológicos precisos impossíveis de obter apenas com angiotomografia ou angiorressonância.
Nossa equipe de radiologia intervencionista apresenta ao paciente as opções com clareza — risco de ruptura, risco do tratamento, protocolo de acompanhamento — e toma a decisão final em conjunto. O objetivo é sempre chegar à escolha mais segura para aquele paciente específico, naquele momento específico.
Não existe um corte universal. O limite de 7 mm frequentemente citado vem de estudos populacionais, mas é uma referência, não uma regra absoluta. Aneurismas menores em localizações de alto risco com formato irregular podem ser tratados; aneurismas ligeiramente maiores em pacientes idosos de alto risco cirúrgico podem ser acompanhados. A decisão é sempre multifatorial.
Raramente. A maioria dos aneurismas permanece estável ou cresce lentamente com o tempo. Casos de regressão espontânea existem, mas são exceções. O controle dos fatores de risco — especialmente a hipertensão e o tabagismo — pode desacelerar o crescimento, mas não elimina o aneurisma.
Atividades que causam elevação brusca e intensa da pressão arterial — como levantamento de peso máximo, esforços com Valsalva — são geralmente desaconselhadas. Exercícios aeróbicos de intensidade moderada, com pressão arterial bem controlada, costumam ser permitidos. A orientação deve ser individualizada com o médico responsável.
Entre em contato pelo site www.hospitalcerta.com.br ou pelo WhatsApp (11) 96625-5970.
O conteúdo desta página foi elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld, doutor pela Unifesp, onde é professor afiliado e coordenador do setor de Radiologia Intervencionista Vascular. Ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024), é portador de três títulos de especialista: Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Suas publicações científicas, incluindo artigos na revista europeia CVIR, estão disponíveis no Google Scholar e no Lattes. O Hospital Certa tem avaliação ⭐⭐⭐⭐⭐ no Google, baseada na experiência de nossos pacientes.
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