Malformações arteriovenosas (MAV) cerebrais: o que são e como a embolização trata sem abrir o crânio

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Malformações arteriovenosas (MAV) cerebrais: o que são e como a embolização trata sem abrir o crânio

Malformações arteriovenosas (MAV) cerebrais: o que são e como a embolização trata sem abrir o crânio

Malformações arteriovenosas (MAV) cerebrais: o que são e como a embolização trata sem abrir o crânio

“As malformações arteriovenosas cerebrais são lesões complexas que exigem avaliação multidisciplinar e estratégia de tratamento cuidadosamente individualizada. No Hospital Certa, a embolização endovascular é uma das ferramentas centrais desse arsenal — seja como tratamento principal ou como preparação para cirurgia ou radiocirurgia.”

— Equipe médica do Hospital Certa Expert Care

Uma rede vascular anormal dentro do cérebro

Uma malformação arteriovenosa (MAV) cerebral é uma anomalia congênita dos vasos sanguíneos em que artérias e veias se conectam diretamente — sem passar pela rede capilar que normalmente faz a transição entre elas. Esse emaranhado de vasos anormais é chamado de nidus (do latim, “ninho”).

Normalmente, o sangue arterial (de alta pressão) flui pelos capilares, que reduzem gradualmente a pressão antes de chegar ao sistema venoso (de baixa pressão). Na MAV, essa transição não existe: sangue de alta pressão é bombeado diretamente para veias de baixa pressão — gerando turbulência, dilatação das veias de drenagem e risco de ruptura.

As MAVs cerebrais afetam cerca de 0,1% da população — muito menos prevalentes do que os aneurismas, mas igualmente sérias. A maioria é diagnosticada entre os 20 e 40 anos, frequentemente após uma hemorragia cerebral ou convulsão.

Como a MAV se manifesta?

Diferente dos aneurismas, que costumam ser assintomáticos até a ruptura, as MAVs podem causar sintomas mesmo sem sangrar:

  • Hemorragia cerebral — principal apresentação (em 50% dos casos na vida do paciente). Pode ser intraparenquimatosa, subaracnóidea ou intraventricular
  • Convulsões — a MAV irrita o tecido cerebral ao redor e pode desencadear epilepsia focal
  • Cefaleia crônica ou progressiva — não necessariamente indicativa de ruptura
  • Déficits neurológicos progressivos — por “roubo” do fluxo sanguíneo de áreas cerebrais adjacentes
  • Zumbido pulsátil — quando a MAV é superficial ou proximal ao crânio

O risco anual de hemorragia de uma MAV não tratada é de 2 a 4%. Ao longo de 30 anos, mais de 50% das pessoas com MAV terão um episódio hemorrágico — com mortalidade de 10–15% por episódio e risco de déficits neurológicos permanentes.

Como a MAV é diagnosticada?

A angiotomografia e a angiorressonância detectam a MAV e caracterizam sua localização. Mas o exame definitivo — indispensável para o planejamento do tratamento — é a arteriografia cerebral por subtração digital com estudo multiaxial. Ela identifica as artérias nutridoras (feeders), o nidus, as veias de drenagem e os aneurismas associados à MAV — que ocorrem em 10–15% dos casos e aumentam significativamente o risco de ruptura.

A classificação de Spetzler-Martin: como o grau da MAV orienta o tratamento

A escala de Spetzler-Martin classifica as MAVs de grau I a V com base em três critérios: tamanho do nidus (< 3 cm = 1 ponto / 3–6 cm = 2 pontos / > 6 cm = 3 pontos), localização em área eloquente do cérebro (sim = 1 / não = 0) e padrão de drenagem venosa (apenas superficial = 0 / drenagem profunda = 1).

Grau I–II (1–2 pontos): MAVs pequenas, em área não eloquente, com drenagem superficial. Melhor resposta ao tratamento — cirurgia ou embolização curativa.

Grau III (3 pontos): MAVs intermediárias. Tratamento combinado (embolização + cirurgia ou radiocirurgia) é a abordagem recomendada.

Grau IV–V (4–5 pontos): MAVs grandes, em área eloquente, com drenagem profunda. Alto risco cirúrgico — tratamento combinado com embolização + radiocirurgia é a abordagem usual.

Como a embolização endovascular trata a MAV?

A embolização endovascular da MAV utiliza microcateteres ultrafinos avançados seletivamente até as artérias nutridoras do nidus. Uma vez posicionado dentro do vaso que alimenta a malformação, o médico injeta uma substância embolizante líquida — geralmente o Onyx (copolímero de etileno-vinil álcool — EVOH) ou o cianoacrilato (cola biológica) — que se solidifica dentro dos vasos anormais, obliterando-os progressivamente.

O Onyx tem a vantagem de ser radiopaco e de solidificar lentamente — permitindo injeções controladas e cobertura ampla do nidus com uma única posição de microcateter. Isso o torna o agente embolizante mais utilizado para MAVs no mundo.

Qual o papel da embolização no tratamento das MAVs?

A embolização raramente é curativa por si só — menos de 25% das MAVs são completamente ocluídas apenas com embolização. Seu papel principal é como preparação para cirurgia ou radiocirurgia:

Embolização pré-cirúrgica: reduz o tamanho do nidus e o fluxo sanguíneo antes da cirurgia, tornando a ressecção mais segura e com menor sangramento. Especialmente útil para MAVs graus II e III.

Embolização pré-radiocirurgia: para MAVs grandes (> 3 cm), a embolização parcial reduz o nidus a um volume mais adequado para tratamento com radiocirurgia estereotáxica (Gamma Knife ou CyberKnife).

Embolização curativa: quando o nidus é pequeno (< 3 cm), com poucas artérias nutridoras e drenagem simples. Nesses casos, a embolização sozinha pode ser suficiente para ocluir completamente a MAV — especialmente em localizações de difícil acesso cirúrgico.

Embolização paliativa: para MAVs grandes de grau IV–V, com altíssimo risco cirúrgico, a embolização parcial pode reduzir o risco de sangramento e controlar sintomas sem buscar a cura completa.

MAV e aneurismas associados: um risco adicional

Em 10 a 15% das MAVs cerebrais, existem aneurismas associados — formados nas artérias nutridoras pelo alto fluxo sanguíneo que percorre a malformação. Esses aneurismas têm maior risco de ruptura do que os aneurismas “espontâneos” e precisam ser identificados e tratados prioritariamente — geralmente com embolização ou coils.

Embolização de MAV no Hospital Certa

O Hospital Certa Expert Care realiza embolização endovascular de malformações arteriovenosas cerebrais como parte de um plano multidisciplinar integrado com neurocirurgia e radiocirurgia. Utilizamos o Onyx como agente embolizante principal, com equipamento de fluoroscopia digital de última geração e microcateteres de alta performance.

Perguntas frequentes sobre MAV cerebral

MAV cerebral é genética?

A maioria das MAVs cerebrais é esporádica — sem causa hereditária identificável. Casos familiares existem mas são raros. Mutações genéticas específicas (como no gene NOTCH3 e no HHT — telangectasia hemorrágica hereditária) estão associadas a maior incidência de MAVs em algumas famílias.

A MAV pode ser curada completamente?

Sim, para MAVs de grau I e II — cirurgia ou embolização curativa podem eliminar completamente a lesão. Para MAVs de grau III a V, a cura completa é mais difícil e frequentemente requer tratamento combinado ao longo de meses a anos. A cura é confirmada por arteriografia cerebral mostrando oclusão completa do nidus.

Como agendar no Hospital Certa?

Entre em contato pelo site www.hospitalcerta.com.br ou pelo WhatsApp (11) 96625-5970.

O conteúdo desta página foi elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld, doutor pela Unifesp, onde é professor afiliado e coordenador do setor de Radiologia Intervencionista Vascular. Ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024), é portador de três títulos de especialista: Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Suas publicações científicas, incluindo artigos na revista europeia CVIR, estão disponíveis no Google Scholar e no Lattes. O Hospital Certa tem avaliação ⭐⭐⭐⭐⭐ no Google, baseada na experiência de nossos pacientes.

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