Antes de Tratar a Próstata Aumentada, É Obrigatório Descartar o Câncer: O Papel do PSA e da Ressonância Multiparamétrica
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Um homem chega ao consultório com sintomas urinários típicos de HPB. O urologista confirma o aumento da próstata. A indicação de tratamento parece clara. Mas existe uma etapa que não pode ser pulada sob hipótese alguma: descartar a presença de câncer de próstata — especialmente nas formas intermediária e de alto grau — antes de qualquer procedimento para HPB.
Isso não é precaução excessiva. É protocolo médico obrigatório, sustentado pelas principais diretrizes internacionais de urologia — EAU (Associação Europeia de Urologia) e AUA (Associação Americana de Urologia). Realizar um procedimento de embolização, ablação ou cirurgia para HPB em um paciente com câncer de próstata clinicamente significativo não tratado pode representar uma omissão diagnóstica com consequências graves e irreversíveis.
No Hospital Certa, essa avaliação faz parte do protocolo pré-procedimento de todo paciente. Neste post, explicamos por que ela é indispensável, como funciona e o que cada exame realmente revela.
HPB e câncer de próstata são condições independentes — mas podem coexistir na mesma glândula ao mesmo tempo. Um homem pode ter próstata aumentada com sintomas urinários claros e um tumor maligno em desenvolvimento — e os sintomas de um podem mascarar completamente o outro.
Se um procedimento para HPB — embolização, ablação transperineal ou cirurgia — for realizado sem que o câncer tenha sido identificado e tratado adequadamente, os riscos são sérios:
Regra clínica fundamental: todo homem candidato a tratamento para HPB deve ser submetido à avaliação completa para exclusão de neoplasia prostática clinicamente significativa antes do procedimento. Essa não é uma etapa opcional — é uma obrigação médica e ética.
O PSA (Antígeno Prostático Específico) é uma proteína produzida pela próstata e liberada em pequena quantidade na corrente sanguínea. É o principal marcador sérico do câncer de próstata — mas sua interpretação exige contexto clínico, pois diversas condições benignas também elevam seus níveis.
PSA total isolado: Valores acima de 4 ng/mL merecem atenção. Acima de 10 ng/mL, a probabilidade de câncer é substancialmente maior. Mas próstatas grandes produzem mais PSA naturalmente — por isso um PSA de 8 em um homem com próstata de 100g tem significado diferente do mesmo valor em um homem com próstata de 30g.
Densidade de PSA (PSA-D): Calculada dividindo o PSA total pelo volume da próstata (em mL). Segundo as diretrizes da EAU 2025, PSA-D ≥ 0,15 ng/mL/cc é considerado limiar de alerta que justifica investigação adicional mesmo com ressonância negativa ou equívoca. PSA-D < 0,10 ng/mL/cc em homens sem história familiar e com ressonância normal permite monitoramento sem biópsia.
Relação PSA livre/total: Na HPB benigna, a fração livre do PSA tende a ser proporcionalmente maior. No câncer, a fração livre é tipicamente menor. Relação PSA livre/total abaixo de 15–25% aumenta a suspeita de malignidade.
PHI (Prostate Health Index): Marcador mais refinado que combina PSA total, PSA livre e p2PSA. Apresenta acurácia de aproximadamente 90% para neoplasia clinicamente significativa em homens com PSA entre 2 e 10 ng/mL — faixa em que a decisão de biopsiar é mais difícil. Quando disponível, é uma ferramenta valiosa para evitar biópsias desnecessárias.
O PSA, por si só, não confirma nem descarta câncer de próstata. É um sinal de alerta que precisa ser integrado com o volume prostático, a relação livre/total, o toque retal e — principalmente — com a ressonância magnética multiparamétrica para uma avaliação completa e segura.
A ressonância magnética multiparamétrica da próstata (mpRM) é hoje o exame de imagem mais poderoso para identificar, localizar e estratificar o risco de lesões prostáticas suspeitas. Ao contrário do ultrassom convencional, ela combina múltiplas sequências de imagem — morfológica (T2), funcional (difusão e perfusão) — gerando uma visão detalhada da estrutura interna da glândula que nenhum outro método oferece.
A mpRM permite ao radiologista identificar lesões suspeitas com sensibilidade de 85–97% para neoplasias clinicamente significativas, localizar tumores que não seriam alcançados pela biópsia convencional — especialmente na zona anterior da próstata — e guiar a biópsia transperineal com fusão de imagens para amostrar exatamente o tecido suspeito.
As diretrizes da EAU 2025 recomendam formalmente que a ressonância magnética multiparamétrica seja realizada ANTES da biópsia prostática em todos os homens com suspeita de câncer de próstata confinadas ao orgão. Isso representa uma mudança de paradigma: a mpRM não é um exame complementar — é o primeiro passo da investigação diagnóstica moderna.
O PI-RADS (Prostate Imaging Reporting and Data System) é o sistema padronizado internacional utilizado pelos radiologistas para classificar as lesões identificadas na mpRM em uma escala de 1 a 5, de acordo com a probabilidade de malignidade clinicamente significativa:
PI-RADS 4 e 5 indicam alta probabilidade de neoplasia clinicamente significativa e exigem biópsia transperineal dirigida antes de qualquer procedimento para HPB. Nenhum tratamento de HPB deve ser realizado com lesão PI-RADS 4 ou 5 não investigada.
Quando a biópsia confirma câncer, o patologista classifica o tumor pelo escore de Gleason — atualizado para o sistema de grupos ISUP (International Society of Urological Pathology). Esse grau define a agressividade do tumor e dita a conduta:
O Hospital Certa realiza a biópsia transperineal guiada por ultrassom e fusão com ressonância — o método com maior precisão diagnóstica disponível atualmente, com risco de infecção próximo de zero e acesso a todas as regiões da próstata. É essa tecnologia que permite ao paciente ter o diagnóstico mais completo possível antes de qualquer decisão terapêutica.
Antes de qualquer procedimento para HPB — seja embolização, ablação transperineal ou outro — a equipe do Hospital Certa conduz uma avaliação completa que inclui:
Esse protocolo não é burocracia — é a garantia de que o paciente receberá o tratamento certo, no momento certo, para a condição correta. Tratar HPB em um paciente com câncer de próstata não investigado não é apenas um erro médico — é uma oportunidade perdida de diagnóstico precoce que pode fazer a diferença entre cura e progressão da doença.
O Hospital Certa Expert Care é reconhecido como um dos centros pioneiros no Brasil em procedimentos minimamente invasivos. Com estrutura de hospital-dia, tecnologia de última geração e um modelo de atendimento humanizado, o Certa nasceu com uma missão clara: tornar os tratamentos mais avançados acessíveis e compreensíveis para todos os pacientes.
À frente desse projeto está o Prof. Dr. Denis Szejnfeld (CRM 108.885), médico com graduação pela Santa Casa de São Paulo, residência em Radiologia pela Unifesp, especialização em Radiologia Intervencionista pela USP e formação em procedimentos minimamente invasivos em Harvard (Brigham and Women's Hospital e Beth Israel Deaconess Medical Center). Possui doutorado pela Unifesp, onde é professor afiliado e coordenador do setor de Radiologia Intervencionista Vascular.
O Dr. Denis é portador de três títulos de especialista: Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Foi presidente da SOBRICE no biênio 2023–2024 e é autor de publicações científicas em periódicos nacionais e internacionais, incluindo a revista da Sociedade Europeia de Radiologia Intervencionista (CVIR). Sua produção acadêmica completa está disponível no Google Scholar e no Currículo Lattes (CNPq).
Mais do que títulos e publicações, o Dr. Denis carrega uma convicção: a radiologia intervencionista precisa chegar ao conhecimento e ao alcance de todos. Essa visão se reflete nas centenas de avaliações cinco estrelas no Google feitas por pacientes que encontraram no Certa não apenas um tratamento de excelência, mas um atendimento que respeita, acolhe e informa.
“O Hospital Certa é um centro pioneiro de medicina minimamente invasiva. Nossa missão é levar atendimento cada vez mais personalizado, com maior qualidade e humanizado.”
— Prof. Dr. Denis Szejnfeld, Diretor Clínico do Hospital Certa
(11) 2548-6265 WhatsApp: (11) 96625-5970
www.hospitalcerta.com.br
Conteúdo elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld — Diretor Clínico do Hospital Certa Expert Care, Professor Afiliado da Unifesp e ex-Presidente da SOBRICE (2023–2024).
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