Embolização de Shunts Portais: Como Fechar os Canais que Causam Confusão Mental na Cirrose
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O paciente com cirrose que fica confuso, sonolento, desorientado ou apresenta alterações de comportamento pode estar sofrendo de encefalopatia hepática — e em muitos casos, a causa direta são os shunts portossistêmicos: canais anômalos que desviam sangue do intestino direto para a circulação sistêmica, levando toxinas ao cérebro sem passar pelo fígado. A embolização percutânea desses shunts pode fechar esses canais e reverter a encefalopatia de forma significativa.
Como vimos no post sobre hipertensão portal, quando a pressão na veia porta sobe, o sangue procura caminhos alternativos para escoar. Alguns desses caminhos alternativos formam shunts — comunicações diretas entre o sistema portal e o sistema venoso sistêmico — que permitem que o sangue portal chegue à circulação geral sem passar pelo fígado.
Os shunts mais comuns são as varizes esofagogástricas — que já abordamos — mas existe também uma variedade de shunts espontâneos em outras localizações: esplenorrenal esquerdo, mesentérico, para-umbilical, gastrorrenal e outros. Esses shunts podem ser identificados por tomografia ou ressonância magnética com contraste.
Shunts portossistêmicos espontâneos de grande calibre são encontrados em 30–60% dos pacientes com cirrose avançada. Quanto maior o shunt, maior a quantidade de toxinas que chega ao cérebro sem ser metabolizada pelo fígado — e maior o risco de encefalopatia refratária.
O intestino produz continuamente substâncias tóxicas como resultado da digestão e da atividade bacteriana — sendo a amônia a mais conhecida. Em condições normais, essas toxinas chegam ao fígado pela veia porta e são metabolizadas antes de entrar na circulação geral. O fígado funciona como um filtro.
Na cirrose com shunts, esse filtro é contornado: a amônia e outras neurotoxinas chegam diretamente ao cérebro através dos shunts — sem passar pelo fígado. O cérebro não consegue metabolizá-las e o resultado é a encefalopatia: confusão mental, sonolência, alterações de comportamento, inversão do ciclo sono-vigília e, nos casos graves, coma.
A encefalopatia hepática recorrente está associada a declínio cognitivo progressivo e risco aumentado de demência mesmo após os episódios agudos. Identificar e tratar a causa — incluindo shunts de grande calibre — é fundamental para preservar a função cerebral a longo prazo.
A embolização percutânea de shunts portossistêmicos é realizada pelo radiologista intervencionista com guia de fluoroscopia. O acesso é feito por punção venosa — geralmente pela veia jugular ou femoral — e o cateter é navegado até o shunt identificado nos exames de imagem.
Uma vez posicionado no interior do shunt, são injetados agentes embolizantes — espirais metálicas (coils), plugs vasculares ou combinações de materiais — que ocluem o canal anômalo de forma permanente. Com o shunt fechado, o sangue portal é redirecionado para o fígado, as toxinas são filtradas e os níveis de amônia caem.
✅ Estudos mostram melhora significativa da encefalopatia hepática em 70–80% dos pacientes submetidos à embolização de shunts espontâneos de grande calibre, com redução expressiva dos episódios recorrentes e melhora da qualidade de vida.
Um tipo especial de shunt merece destaque: o shunt gastrorrenol esquerdo — frequentemente associado às varizes gástricas de fundo, que sangram de forma ainda mais grave que as varizes esofágicas. Para esse tipo de shunt, existe uma técnica específica chamada BRTO (oclusão retrógrada transvenosa com balão) — em que um balão oclui temporariamente o shunt enquanto um agente esclerosante é injetado nas varizes gástricas, obliterando-as de forma permanente.
O BRTO trata simultaneamente as varizes gástricas — eliminando o risco de sangramento — e fecha o shunt gastrorrenol — reduzindo o fluxo de toxinas ao cérebro. É um dos procedimentos com melhor custo-benefício na hepatologia intervencionista.
O Hospital Certa Expert Care é pioneiro em procedimentos minimamente invasivos em São Paulo. À frente está o Prof. Dr. Denis Szejnfeld (CRM 108.885) — doutor pela Unifesp, professor afiliado, ex-presidente da SOBRICE (2023–2024) e autor de publicações em periódicos internacionais. Produção acadêmica no Google Scholar e no Lattes. Centenas de avaliações cinco estrelas no Google.
“O Hospital Certa é um centro pioneiro de medicina minimamente invasiva. Nossa missão é levar atendimento cada vez mais personalizado, com maior qualidade e humanizado.” — Prof. Dr. Denis Szejnfeld, Diretor Clínico do Hospital Certa
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Conteúdo elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld — Diretor Clínico do Hospital Certa Expert Care, Professor Afiliado da Unifesp e ex-Presidente da SOBRICE (2023–2024).
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