O Que É a Encefalopatia Hepática? Quando o Fígado Doente Afeta o Cérebro

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O Que É a Encefalopatia Hepática? Quando o Fígado Doente Afeta o Cérebro

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O Que É a Encefalopatia Hepática? Quando o Fígado Doente Afeta o Cérebro

Um familiar com cirrose que começa a ficar confuso, sonolento durante o dia, acordado à noite, irritado sem motivo ou com dificuldade para se concentrar — esses podem ser os primeiros sinais de encefalopatia hepática. Uma complicação grave, frequentemente reversível quando tratada precocemente, mas que pode progredir para coma se não for identificada a tempo.

O Que É e Por Que Acontece

A encefalopatia hepática é uma síndrome neuropsiquiátrica causada pelo acúmulo de neurotoxinas — principalmente a amônia — na circulação sanguínea. Em um fígado saudável, a amônia produzida pelas bactérias intestinais durante a digestão de proteínas é captada e convertida em ureia, que é eliminada pelos rins. Na cirrose, esse mecanismo falha por dois motivos:

  • O fígado cirrótico perdeu células funcionantes — sua capacidade de metabolizar a amônia está reduzida
  • Os shunts portossistêmicos desviam o sangue intestinal diretamente para a circulação geral, contornando o que resta da função hepática

A amônia acumulada altera o funcionamento dos neurônios — especialmente dos astrócitos, as células de suporte do cérebro — e resulta nos sintomas neurológicos e psiquiátricos da encefalopatia.

Os Quatro Graus da Encefalopatia Hepática

  • Grau 1 — Sintomas: Leve confusão, irritabilidade, inversão do sono, dificuldade de concentração. Estado de consciência: Consciente, responde normalmente
  • Grau 2 — Sintomas: Sonolência, desorientação, comportamento inadequado, asterixe (flapping). Estado de consciência: Letárgico, mas despertável
  • Grau 3 — Sintomas: Confusão grave, discurso incoerente, agitação ou estupor. Estado de consciência: Responde a estímulos, não segue ordens
  • Grau 4 — Sintomas: Coma — sem resposta a estímulos verbais ou dolorosos. Estado de consciência: Inconsciente

A encefalopatia hepática mínima — grau 0 — não tem sintomas perceptíveis no dia a dia, mas compromete funções cognitivas sutis como atenção, velocidade de processamento e coordenação motora fina. Pode ser detectada apenas por testes neuropsicológicos. Mesmo sem sintomas evidentes, já impacta a qualidade de vida e aumenta o risco de acidentes — especialmente ao dirigir.

O Que Desencadeia um Episódio de Encefalopatia

A encefalopatia raramente surge do nada. Quase sempre há um fator precipitante que pode e deve ser identificado e tratado:

  • Infecção — especialmente peritonite bacteriana espontânea ou infecção urinária
  • Sangramento gastrointestinal — o sangue no intestino é rico em proteínas que alimentam as bactérias produtoras de amônia
  • Constipação intestinal — aumenta o tempo de contato das toxinas com a mucosa intestinal
  • Uso de diuréticos em dose excessiva — desidratação e distúrbios eletrolíticos agravam a função hepática
  • Uso de benzodiazepínicos ou sedativos — potencializam o efeito das neurotoxinas no cérebro
  • Shunts portossistêmicos espontâneos de grande calibre — desviam amônia diretamente para o cérebro

A peritonite bacteriana espontânea é o gatilho mais perigoso e frequentemente silencioso — pode causar encefalopatia sem dor abdominal evidente. Todo paciente cirrótico com ascite e piora súbita do estado mental deve ser submetido a paracentese diagnóstica de urgência para exclusão de PBE.

Tratamento — E o Papel da Radiologia Intervencionista

O tratamento da encefalopatia hepática envolve múltiplas frentes:

  • Identificação e tratamento do fator precipitante — a medida mais importante
  • Lactulose oral — reduz a absorção de amônia pelo intestino
  • Rifaximina — antibiótico não absorvível que reduz as bactérias intestinais produtoras de amônia
  • Dieta adequada — restrição moderada de proteínas de origem animal, com manutenção de proteínas vegetais e de laticínios

Quando a encefalopatia é recorrente e os shunts portossistêmicos são identificados como causa principal, a embolização percutânea desses shunts — como descrita no post anterior desta série — representa uma solução estrutural que reduz a recorrência dos episódios de forma duradoura.

Hospital Certa e Dr. Denis Szejnfeld

O Hospital Certa Expert Care é pioneiro em procedimentos minimamente invasivos em São Paulo. À frente está o Prof. Dr. Denis Szejnfeld (CRM 108.885) — doutor pela Unifesp, professor afiliado, ex-presidente da SOBRICE (2023–2024) e autor de publicações em periódicos internacionais. Produção acadêmica no Google Scholar e no Lattes. Centenas de avaliações cinco estrelas no Google.

“O Hospital Certa é um centro pioneiro de medicina minimamente invasiva. Nossa missão é levar atendimento cada vez mais personalizado, com maior qualidade e humanizado.”

— Prof. Dr. Denis Szejnfeld, Diretor Clínico do Hospital Certa

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Conteúdo elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld — Diretor Clínico do Hospital Certa Expert Care, Professor Afiliado da Unifesp e ex-Presidente da SOBRICE (2023–2024).

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