Dor no joelho por artrose: a embolização alivia por quanto tempo? O que mostra o estudo brasileiro GAUCHO
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Um ensaio clínico randomizado brasileiro, publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology, acompanhou por 12 meses 60 pacientes com artrose leve a moderada do joelho tratados com embolização da artéria genicular (GAE). A dor caiu de forma expressiva já no primeiro mês e a melhora se manteve ao fim de um ano, com redução no uso de analgésicos e sem complicações graves — com resultados semelhantes para os dois agentes embólicos comparados.
“No Hospital Certa, a embolização da artéria genicular é uma alternativa estabelecida para a dor crônica do joelho por artrose. Temos experiência com os dois agentes avaliados neste estudo — o imipenem/cilastatina, de efeito temporário, e as microesferas permanentes —, e a escolha é feita de forma individualizada para cada paciente.”
A artrose (osteoartrite) do joelho é uma das principais causas de dor e limitação em adultos acima dos 50 anos. Muitos pacientes continuam com dor apesar de fisioterapia, medicamentos e infiltrações, mas ainda não têm indicação de prótese total. Para esse grupo, a embolização da artéria genicular (GAE) surgiu como opção minimamente invasiva: o procedimento bloqueia os pequenos vasos anormais (neovasos) que se formam na sinóvia inflamada e alimentam a dor, preservando a circulação normal do joelho.
A técnica começou a ser feita com o imipenem/cilastatina, um antibiótico que, em forma de cristais, funciona como agente embólico de efeito temporário — os vasos voltam a se abrir em cerca de 48 horas. Esse uso, porém, não é aprovado formalmente como embolização em muitos países (é considerado “fora da bula”). Por isso, as microesferas permanentes passaram a ser cada vez mais usadas. Até agora, no entanto, nenhum estudo controlado havia comparado diretamente os dois agentes.
O estudo GAUCHO foi desenhado para responder a duas perguntas: a GAE alivia a dor de forma duradoura? E o tipo de agente embólico muda a segurança ou o resultado?
Foi um ensaio clínico randomizado, prospectivo, de centro único e simples-cego (o paciente não sabia qual agente recebeu), registrado no Registro Brasileiro de Ensaios Clínicos. Entre fevereiro de 2021 e dezembro de 2022, foram incluídos 60 pacientes (52 mulheres e 8 homens, idade média de 64 anos) com artrose leve a moderada (graus 1 a 3 de Kellgren–Lawrence) e dor intensa — pelo menos 6 em 10 — havia mais de 6 meses, mesmo com fisioterapia ou infiltração. Pacientes com indicação cirúrgica, artrose grau 4, artrite secundária ou fibromialgia foram excluídos.
Os pacientes foram sorteados para receber imipenem/cilastatina (30) ou microesferas de 100–300 µm (30). Ao todo, foram tratados 82 joelhos. O procedimento foi feito com anestesia local, sem sedação, por punção na virilha: o médico localizava na angiografia as áreas de neovascularização correspondentes à dor e o próprio paciente confirmava, durante o exame, que aquele era o ponto doloroso antes da embolização. Após o procedimento, o paciente permanecia 6 horas em repouso e recebia alta.
A dor foi medida pela escala visual analógica (EVA, de 0 a 10) e pelos questionários WOMAC e KOOS, antes do procedimento e com 30 dias, 90 dias e 12 meses. Ressonâncias magnéticas foram feitas antes, com 3 e com 12 meses para avaliar a sinóvia e procurar possíveis complicações.
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Dor média (EVA, 0 a 10) antes e após a embolização genicular em cada grupo. Figura original elaborada pelo Hospital Certa a partir dos dados de Correa et al., Cardiovasc Intervent Radiol, 2026.
O estudo “Genicular Artery Embolization Using Imipenem/Cilastatin vs. Microsphere for Knee Osteoarthritis (GAUCHO). 12-Month Clinical Results of a Single-blind Randomized Controlled Trial” foi conduzido por Mateus Picada Correa e colaboradores, no Instituto Vascular de Passo Fundo (Invasc), em parceria com a Universidade de Passo Fundo e o Hospital Ortopédico de Passo Fundo (RS), com participação de Joaquim M. Motta-Leal-Filho, da Faculdade de Medicina da USP. Foi publicado em 2026 na revista Cardiovascular and Interventional Radiology (CVIR), periódico oficial da CIRSE (Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista). Os autores declaram que as microesferas e as ressonâncias foram fornecidas pelo fabricante do material, sem remuneração aos pesquisadores.
Referência (Vancouver): Correa MP, Michelin AF, Aguiar LA, Lugokenski R, Algarve RI, Motta-Leal-Filho JM. Genicular Artery Embolization Using Imipenem/Cilastatin vs. Microsphere for Knee Osteoarthritis (GAUCHO). 12-Month Clinical Results of a Single-blind Randomized Controlled Trial. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026;49:1825-1837. doi:10.1007/s00270-026-04504-5
Para quem convive com dor no joelho por artrose e já tentou fisioterapia, remédios e infiltrações sem sucesso, este estudo brasileiro traz uma mensagem importante: a embolização da artéria genicular reduziu a dor de forma expressiva e manteve o benefício ao longo de um ano, com menor necessidade de analgésicos e opioides e sem complicações graves. O procedimento é feito com anestesia local, sem cortes, e o paciente vai para casa no mesmo dia.
O estudo também mostra que os dois agentes embólicos levaram a resultados semelhantes — o que dá segurança ao especialista para escolher o material mais adequado a cada caso. É importante, porém, entender os limites da pesquisa: foi feita em um único centro, os médicos que realizavam o procedimento sabiam qual agente estavam usando e não houve um grupo de comparação sem embolização. A dor ainda subiu levemente entre o primeiro mês e o fim do primeiro ano, o que reforça a importância do acompanhamento. E a GAE é indicada para artrose leve a moderada — não substitui a prótese nos casos avançados.
No Hospital Certa, a embolização da artéria genicular é realizada com equipe especializada, em regime de hospital-dia e com valores acessíveis. Agende sua avaliação: (11) 2548-6265 | WhatsApp (11) 96625-5970.
É um procedimento minimamente invasivo, guiado por imagem, em que um cateter fino é levado até as pequenas artérias do joelho para bloquear os vasos anormais que alimentam a inflamação da sinóvia. Com isso, a inflamação e a dor diminuem — sem cortes e sem cirurgia.
Neste estudo, a melhora apareceu já no primeiro mês e se manteve ao fim de 12 meses, com a dor média passando de cerca de 8 para cerca de 4 em uma escala de 0 a 10. Houve uma pequena elevação entre o primeiro mês e um ano, e estudos com seguimento mais longo seguem em andamento.
Na dor ao longo de 12 meses, não. As microesferas mostraram vantagem em alguns aspectos nas primeiras semanas, que não se manteve. A segurança também foi semelhante. A escolha do agente depende de cada caso e é feita pelo radiologista intervencionista.
Pacientes com artrose leve a moderada do joelho, com dor persistente por pelo menos alguns meses apesar de fisioterapia, medicamentos ou infiltrações, e que ainda não têm indicação — ou não desejam — fazer a prótese total. A indicação é sempre individualizada, com avaliação clínica e de imagem.
No estudo, não houve complicações graves. O efeito mais comum foi uma mancha arroxeada transitória na pele do joelho, que geralmente some em poucas horas. Também ocorreram poucos casos de hematoma no local da punção e inchaço local, todos resolvidos sem tratamento.
Não. No estudo, o procedimento foi feito com anestesia local, sem sedação, e o paciente recebia alta após cerca de 6 horas de repouso.
O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.
Dor no joelho por artrose: a embolização alivia por quanto tempo? O que mostra o estudo brasileiro GAUCHO
