Tumor no rim de 4 a 7 cm pode ser tratado sem cirurgia? O que mostra a experiência do MD Anderson com crioablação

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Tumor no rim de 4 a 7 cm pode ser tratado sem cirurgia? O que mostra a experiência do MD Anderson com crioablação

Tumor no rim de 4 a 7 cm pode ser tratado sem cirurgia? O que mostra a experiência do MD Anderson com crioablação

Tumor no rim de 4 a 7 cm pode ser tratado sem cirurgia? O que mostra a experiência do MD Anderson com crioablação

Um estudo do MD Anderson Cancer Center, nos Estados Unidos, publicado em 2026 na revista CardioVascular and Interventional Radiology, acompanhou por até 13 anos pacientes com tumores renais entre 4,1 e 7 cm (estágio T1b) tratados com crioablação percutânea, sem cirurgia. Em 5 anos, 87% dos pacientes com câncer renal confirmado por biópsia estavam livres de recidiva local e nenhum morreu em decorrência do câncer de rim. Os resultados reforçam a crioablação como alternativa para pacientes selecionados que não são bons candidatos à cirurgia.

“No Hospital Certa, realizamos a crioablação percutânea de tumores renais guiada por imagem e, quando indicado, a embolização do tumor antes do procedimento para reduzir o risco de sangramento. A indicação é sempre discutida em conjunto com o urologista.”

O que o estudo investigou

Tumores renais pequenos, de até 4 cm (estágio T1a), já podem ser tratados com ablação guiada por imagem com resultados reconhecidos pelas principais sociedades médicas. Para tumores um pouco maiores, entre 4,1 e 7 cm (estágio T1b), o tratamento padrão continua sendo a cirurgia, geralmente a retirada parcial do rim (nefrectomia parcial). As diretrizes das sociedades americana e europeia de urologia ainda não incluem a ablação para esse grupo, em parte porque os primeiros estudos usaram a radiofrequência, com resultados menos consistentes em lesões maiores.

Muitos pacientes com tumores T1b, porém, têm idade avançada, outras doenças, função renal comprometida ou um único rim, e a cirurgia pode representar um risco elevado. O estudo avaliou os resultados de longo prazo da crioablação, técnica que destrói o tumor por congelamento, nesses pacientes.

Como o estudo foi feito

Foi um estudo retrospectivo com todos os pacientes tratados com crioablação para tumores renais T1b no MD Anderson entre janeiro de 2008 e junho de 2024. Foram incluídos 51 pacientes, com idade mediana de 72 anos e tumores com mediana de 4,5 cm (de 4,1 a 6,8 cm). As indicações mais comuns foram outras doenças importantes, um segundo câncer (presente em 39% dos pacientes) e função renal comprometida. Todos os casos foram discutidos antes com a equipe de urologia.

A crioablação foi feita pela pele, sob anestesia geral e guiada por tomografia. Agulhas especiais (criossondas) foram posicionadas para congelar todo o tumor com uma margem de 0,5 a 1 cm de tecido ao redor. Quando o intestino ou outras estruturas estavam próximos, foram usadas técnicas de proteção, como a injeção de líquido para afastá-los (hidrodissecção, em 45% dos procedimentos). Tumores maiores que 5 cm ou muito vascularizados passaram antes por embolização (28 pacientes): o fechamento, por cateter, das artérias que nutrem o tumor, feito para reduzir o risco de sangramento.

Protocolo de tratamento no estudo. Figura original do Hospital Certa, elaborada a partir de Abdelsalam et al., Cardiovasc Intervent Radiol, 2026.

Principais achados

  • O sucesso técnico foi de 100%: em todos os casos a ablação planejada foi concluída.
  • Em um acompanhamento mediano de 3 anos (até 13,3 anos), apenas 2 pacientes (4%) tiveram recidiva local, aos 30 e 41,5 meses; um deles foi tratado com nova crioablação.
  • Entre os 27 pacientes com câncer renal confirmado por biópsia, as taxas em 5 anos foram de 87% sem recidiva local, 83% livres de doença e 96% livres de metástase.
  • A sobrevida global mediana foi de 6,1 anos, com 75% dos pacientes vivos em 5 anos. Nenhum paciente morreu em decorrência do câncer de rim; a sobrevida reflete sobretudo a idade e o segundo câncer presente em boa parte do grupo.
  • Não houve diferença nos resultados entre quem fez só a crioablação e quem fez embolização antes.
  • Sete pacientes (cerca de 14%) tiveram complicações mais relevantes, a maioria por sangramento. Todas foram tratadas com procedimentos minimamente invasivos, como embolização, drenagem ou lavagem da bexiga, ou com cuidados de UTI em um caso.

Taxas em 5 anos após a crioablação. Figura original do Hospital Certa com dados de Abdelsalam et al., Cardiovasc Intervent Radiol, 2026.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo “Percutaneous Cryoablation of Clinical T1b Renal Tumors: A Tertiary Cancer Center Experience” foi conduzido por Mohamed E. Abdelsalam, Kamran Ahrar e colaboradores dos departamentos de Radiologia Intervencionista, Bioestatística e Urologia do MD Anderson Cancer Center, da Universidade do Texas, em Houston, um dos maiores centros de tratamento de câncer do mundo. Foi publicado em 2026 na CardioVascular and Interventional Radiology (CVIR), revista oficial da Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista (CIRSE), em acesso aberto.

Referência (Vancouver): Abdelsalam ME, Awad A, Kang F, Wang Z, Irwin D, Habibollahi P, et al. Percutaneous cryoablation of clinical T1b renal tumors: a tertiary cancer center experience. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026;49:1785-98. doi:10.1007/s00270-026-04381-y

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para pacientes com tumor renal entre 4 e 7 cm que não são bons candidatos à cirurgia, por idade, outras doenças, função renal reduzida ou rim único, o estudo mostra que a crioablação oferece controle local duradouro do tumor com um procedimento feito pela pele, sem cortes e com preservação da função do rim. Os autores observam que os resultados de sobrevida são semelhantes aos relatados na literatura para a nefrectomia parcial em tumores desse tamanho, embora estudos comparativos indiquem uma taxa de recidiva local um pouco maior com a ablação.

O estudo também mostra que tumores maiores exigem planejamento cuidadoso: embolização prévia quando o tumor é grande ou muito vascularizado, técnicas de proteção de órgãos vizinhos e seguimento regular com exames de imagem. Em tumores maiores, o risco de complicações, principalmente sangramento, é uma preocupação conhecida, o que reforça a importância de um centro com experiência.

É preciso considerar as limitações: trata-se de um estudo retrospectivo, de um único centro, com número pequeno de pacientes e sem grupo de comparação com a cirurgia. Nem todos os tumores tinham confirmação de câncer por biópsia. Por isso, a crioablação de tumores T1b continua sendo uma opção para pacientes selecionados, e a decisão deve ser tomada em conjunto pelo radiologista intervencionista e pelo urologista.

Perguntas frequentes

O que é um tumor renal T1b?

É um tumor restrito ao rim, com diâmetro entre 4,1 e 7 cm. Tumores de até 4 cm são classificados como T1a.

Como funciona a crioablação do rim?

Agulhas especiais são introduzidas pela pele até o tumor, guiadas por tomografia. Elas atingem temperaturas muito baixas e formam uma “bola de gelo” que envolve e destrói o tumor, com uma margem de segurança ao redor.

Por que alguns pacientes fazem embolização antes?

Tumores maiores ou muito vascularizados sangram mais. A embolização fecha por cateter as artérias que nutrem o tumor, reduzindo o risco de sangramento durante a crioablação. No estudo, os resultados foram semelhantes com e sem embolização.

Quem pode ser candidato à crioablação de um tumor T1b?

Principalmente pacientes com risco cirúrgico elevado: idade avançada, outras doenças importantes, função renal reduzida, rim único ou outro câncer em tratamento. Também pacientes que optam por não fazer cirurgia, após discussão com a equipe.

A crioablação substitui a cirurgia?

Para tumores T1b, a cirurgia ainda é o tratamento padrão. A crioablação é uma alternativa para pacientes selecionados, com resultados de sobrevida semelhantes aos relatados para a cirurgia, mas com recidiva local um pouco mais frequente segundo estudos comparativos.

Como é o acompanhamento depois do procedimento?

São feitos exames de imagem (tomografia ou ressonância) em intervalos regulares, para confirmar que o tumor foi totalmente tratado e detectar cedo qualquer recidiva, que muitas vezes pode ser tratada com nova ablação.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista, em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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