Cirurgia de próstata (RTU) e função sexual: o que um estudo mostrou sobre ereção e ejaculação

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Cirurgia de próstata (RTU) e função sexual: o que um estudo mostrou sobre ereção e ejaculação

Cirurgia de próstata (RTU) e função sexual: o que um estudo mostrou sobre ereção e ejaculação

Cirurgia de próstata (RTU) e função sexual: o que um estudo mostrou sobre ereção e ejaculação

Um estudo publicado na revista Urologia Internationalis avaliou como a ressecção transuretral da próstata (RTU) — a cirurgia mais tradicional para a próstata aumentada — afeta a ereção e a ejaculação. Os resultados ajudam o homem a entender o que esperar e a discutir, com seu médico, as alternativas disponíveis.

“No Hospital Certa, o tratamento da próstata aumentada inclui opções minimamente invasivas, como a embolização das artérias prostáticas, que buscam aliviar os sintomas urinários preservando a função sexual do paciente.”

O que o estudo investigou

A hiperplasia prostática benigna (HPB) — o aumento não canceroso da próstata — provoca sintomas urinários e afeta cerca de metade dos homens na faixa dos 50 anos, chegando a 80% acima dos 80. Quando o remédio não basta, a cirurgia é uma opção, e a ressecção transuretral da próstata (RTU) é considerada o padrão-ouro cirúrgico há décadas. Como muitos homens nessa idade são sexualmente ativos, surge uma dúvida importante: a RTU prejudica a vida sexual? A literatura é controversa. Este estudo se propôs a esclarecer, separadamente, dois aspectos: o efeito da cirurgia sobre a ereção (função erétil) e sobre a ejaculação (função ejaculatória).

Como o estudo foi feito

Foi um estudo retrospectivo com 91 homens submetidos à RTU por HPB. Eles foram divididos em dois grupos conforme a função erétil antes da cirurgia: o grupo A (41 homens) tinha ereção normal, e o grupo B (50 homens) já tinha disfunção erétil. Todos foram avaliados antes da cirurgia e depois, com 1, 3 e 6 meses, usando questionários validados para ereção (IIEF-5), para ejaculação (Ej-MSHQ) e para os sintomas urinários (IPSS), além da medida do fluxo urinário (Qmax).

Principais achados

  • A RTU não teve efeito negativo significativo sobre a ereção: nos homens com função erétil normal, ela se manteve estável após a cirurgia.
  • Os homens que já tinham disfunção erétil antes da cirurgia, na verdade, apresentaram melhora da ereção após a RTU.
  • Por outro lado, houve perda significativa da função ejaculatória — a chamada ejaculação seca ou retrógrada é uma consequência comum da RTU.
  • Os sintomas urinários (IPSS) e o fluxo de urina (Qmax) melhoraram após a cirurgia.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo foi conduzido principalmente na Jordânia, na Universidade da Jordânia (Amã), com colaboração de pesquisadores da Arábia Saudita e da Sapienza Università di Roma (Itália). Foi publicado em 2022 na revista Urologia Internationalis (Urol Int), periódico internacional da área de urologia. O caráter multicêntrico e internacional reforça a relevância do tema para homens de diferentes países.

Referência (Vancouver): Al Demour SH, Abuhamad M, Santarisi AN, Al-Zubi M, Al-Rawashdah SF, Halalsheh O, et al. The effect of transurethral resection of the prostate on erectile and ejaculatory functions in patients with benign prostatic hyperplasia. Urol Int. 2022. doi:10.1159/000524957

Por que isso importa para a saúde do paciente

A mensagem central é tranquilizadora em parte e atenta em parte. De um lado, o medo de que a cirurgia da próstata cause impotência não se confirmou neste estudo: a ereção foi preservada e, em quem já tinha dificuldade, até melhorou — provavelmente pelo alívio dos sintomas urinários e da ansiedade associada. De outro lado, a perda da ejaculação é frequente após a RTU, algo que pode incomodar bastante homens sexualmente ativos e que nem sempre é discutido com clareza antes da cirurgia. Por isso, é fundamental conversar sobre todas as opções. Existem alternativas minimamente invasivas, como a embolização das artérias prostáticas — procedimento guiado por imagem, sem cortes e sem ressecção de tecido — que aliviam os sintomas urinários com menor impacto sobre a ejaculação. A escolha deve ser individual, equilibrando o controle dos sintomas e a preservação da função sexual que o paciente valoriza.

Perguntas frequentes

A cirurgia de próstata causa impotência?

Neste estudo, a RTU não prejudicou a ereção; nos homens que já tinham disfunção erétil, houve até melhora. O receio de impotência, portanto, não se confirmou para a função erétil.

O que é ejaculação seca ou retrógrada?

É quando o sêmen, em vez de sair pela uretra, vai para a bexiga durante o orgasmo. É uma consequência comum da RTU e foi observada de forma significativa neste estudo.

Existe tratamento que preserva a ejaculação?

Sim. Algumas técnicas minimamente invasivas, como a embolização das artérias prostáticas, tendem a preservar a função ejaculatória, sendo uma opção a discutir conforme cada caso.

A RTU melhora os sintomas urinários?

Sim. No estudo, os sintomas urinários (IPSS) e o fluxo de urina (Qmax) melhoraram após a cirurgia — esse é justamente o objetivo do tratamento.

Quem já tem disfunção erétil deve evitar a cirurgia?

Não necessariamente. Neste estudo, esse grupo apresentou melhora da ereção após a RTU. A decisão deve ser individualizada com o urologista.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais (mais de 1.000 citações e índice h 15 no Google Scholar). Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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