Dor no joelho mesmo após a prótese? Um novo estudo avalia a embolização da artéria genicular como alternativa
Conteúdos e materiais
Um estudo prospectivo publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology avaliou a embolização das artérias geniculares (GAE) em 37 pacientes com dor persistente no joelho por mais de um ano após a cirurgia de prótese total (artroplastia). Os resultados mostraram redução significativa da dor e da limitação funcional já no primeiro mês, mantida aos três meses de acompanhamento.
“No Hospital Certa, a embolização da artéria genicular já é uma alternativa estabelecida para dor crônica do joelho por osteoartrite — um procedimento minimamente invasivo, guiado por imagem, que reduz a inflamação da sinóvia sem cortes e sem internação.”
Entre 20% e 25% dos pacientes que fazem prótese total de joelho (artroplastia) continuam com dor crônica relevante anos após a cirurgia — um cenário desafiador, já que geralmente restam poucas opções de tratamento depois que medicações, injeções e fisioterapia se esgotam. Como a dor persistente na osteoartrite de joelho está associada à inflamação e ao aumento de vasos sanguíneos (neoangiogênese) na sinóvia, a embolização da artéria genicular (GAE) — que já vinha sendo usada para tratar dor por osteoartrite antes da cirurgia — passou a ser estudada também como opção para quem continua com dor mesmo depois da prótese.
O objetivo deste estudo foi avaliar a eficácia da GAE especificamente em pacientes com dor persistente e incapacitante no joelho por mais de um ano após já terem sido submetidos à artroplastia total de joelho.
Foi um estudo prospectivo, de centro único, com 37 pacientes consecutivos (13 homens e 24 mulheres, idade média de 72,8 anos) que tinham dor persistente no joelho havia pelo menos um ano após a prótese total, sem resposta a tratamentos anteriores. Partículas de imipenem-cilastatina e/ou microesferas foram injetadas por microcateter diretamente nas artérias geniculares responsáveis por irrigar a região inflamada da sinóvia. A resposta ao tratamento foi medida pelos questionários WOMAC (índice de osteoartrite) e EVA/VAS (escala visual de dor), aplicados antes do procedimento e reavaliados em 1 e 3 meses.
O estudo “Genicular Artery Embolization as a Treatment Option for Refractory Knee Pain Post Total Knee Arthroplasty: A Prospective Series” foi conduzido por Nishanth Konduru e colaboradores, da Rao Clinic (Cary, EUA) em parceria com a Carolina Regional Orthopaedics, e publicado em 2026 na revista Cardiovascular and Interventional Radiology (CVIR), periódico oficial da CIRSE (Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista).
Referência (Vancouver): Konduru N, Hnatov A, Joshua SP, Metry M, Singh H, Rao S. Genicular Artery Embolization as a Treatment Option for Refractory Knee Pain Post Total Knee Arthroplasty: A Prospective Series. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026;49:1384-1390. doi:10.1007/s00270-025-04318-x
Para quem já passou pela cirurgia de prótese de joelho e continua convivendo com dor persistente, este estudo traz uma mensagem importante: existe uma opção adicional antes de considerar uma nova cirurgia (revisão da prótese). A embolização da artéria genicular é minimamente invasiva, feita sem cortes, e mostrou redução consistente da dor e da necessidade de analgésicos. É fundamental, porém, que a causa da dor persistente seja bem investigada previamente — descartando infecção da prótese, soltura do implante ou mau posicionamento — já que a GAE é indicada especificamente para a dor de origem inflamatória, e não para problemas mecânicos do implante. Os próprios autores destacam que são necessários estudos maiores e com acompanhamento mais longo para confirmar a durabilidade dos resultados.
É um procedimento minimamente invasivo, guiado por imagem, que reduz o fluxo de sangue para regiões inflamadas da sinóvia do joelho, diminuindo a inflamação e a dor — sem cortes e sem necessidade de internação prolongada.
Neste estudo, sim: pacientes com dor persistente por mais de um ano após a prótese total tiveram melhora significativa da dor e da função em 1 e 3 meses de acompanhamento.
Pacientes com dor persistente e incapacitante no joelho após a artroplastia, sem sinais de infecção, soltura do implante ou mau posicionamento, e que já esgotaram tratamentos como medicação, injeções e fisioterapia.
No estudo, não houve complicações maiores. As complicações menores observadas — rigidez articular e sensibilidade local — foram autolimitadas e se resolveram em até 4 semanas.
Não necessariamente. A GAE é indicada para dor de origem inflamatória, quando a prótese está bem posicionada e sem infecção. Cada caso deve ser avaliado individualmente por uma equipe especializada.
O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women’s Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.
Dor no joelho mesmo após a prótese? Um novo estudo avalia a embolização da artéria genicular como alternativa
