Embolização para dor na artrose de quadril: o que mostra um novo estudo alemão
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Um estudo retrospectivo publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology avaliou a embolização transarterial (TAE) em 41 pacientes com osteoartrite sintomática do quadril sem resposta ao tratamento conservador. Ao longo de 12 meses de acompanhamento, o procedimento se mostrou seguro e associado a redução sustentada da dor e melhora funcional — ampliando para o quadril uma técnica já consolidada no joelho.
“No Hospital Certa, acompanhamos de perto a evolução das técnicas de embolização para dor articular — uma linha de tratamento minimamente invasiva que já é referência no joelho e que agora ganha respaldo científico crescente também para o quadril.”
A osteoartrite (OA) do quadril é uma causa comum de dor e limitação funcional em adultos de meia-idade e idosos. O tratamento tradicional envolve anti-inflamatórios, fisioterapia e, eventualmente, infiltrações — mas quando esses recursos se esgotam e o paciente ainda não tem indicação (ou não deseja) fazer a prótese total de quadril, faltam alternativas minimamente invasivas eficazes.
Assim como ocorre no joelho, a inflamação crônica da sinóvia e o aumento de vasos sanguíneos anômalos (neovascularização) contribuem para a dor na osteoartrite de quadril. Com base no sucesso já demonstrado da embolização da artéria genicular (GAE) no joelho, este estudo avaliou a segurança e a eficácia da embolização transarterial (TAE) aplicada ao quadril.
Foi uma análise retrospectiva, de centro único, conduzida na Charité – Universitätsmedizin Berlin (Alemanha), com 41 pacientes (idade mediana de 65 anos) tratados entre janeiro de 2023 e abril de 2025. Os critérios de inclusão exigiam osteoartrite de quadril confirmada clínica e radiograficamente, com pelo menos 3 meses de falha do tratamento conservador. A embolização foi feita com agentes temporários — micropartículas de gelatina rapidamente reabsorvíveis ou imipenem/cilastatina —, sempre incluindo a artéria circunflexa femoral lateral e, quando necessário, ramos glúteos ou obturatórios adicionais. A dor foi medida pela escala NRS (0 a 10) e a função pelo questionário HOOS, avaliados no início e até 12 meses após o procedimento.
O estudo “Transarterial Embolization for the Treatment of Symptomatic Hip Osteoarthritis” foi conduzido por Florian Nima Fleckenstein e colaboradores, da Charité – Universitätsmedizin Berlin (Alemanha), e publicado em 2026 na revista Cardiovascular and Interventional Radiology (CVIR), periódico oficial da CIRSE (Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista).
Referência (Vancouver): Fleckenstein FN, Maleitzke T, Oehme S, Donner S, Auer TA, Hildebrandt A, Perka C, Vogel-Claussen J, Gebauer B, Winkler T, Collettini F. Transarterial Embolization for the Treatment of Symptomatic Hip Osteoarthritis. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026;49:1352-1361. doi:10.1007/s00270-026-04448-w
Para quem convive com dor de quadril por osteoartrite e já esgotou o tratamento conservador, mas ainda não tem indicação — ou não deseja — fazer a prótese total, este estudo traz uma perspectiva promissora: a embolização transarterial se mostrou segura e eficaz para reduzir a dor e melhorar a função ao longo de um ano de acompanhamento, com perfil de segurança favorável e sem comprometer uma eventual cirurgia futura. É importante destacar que se trata de um estudo retrospectivo, de centro único e sem grupo controle — os próprios autores recomendam estudos maiores e controlados para confirmar esses resultados e definir com mais precisão o papel da TAE no tratamento da artrose de quadril.
É um procedimento minimamente invasivo, guiado por imagem, que reduz o fluxo de sangue para regiões inflamadas da sinóvia do quadril, diminuindo a inflamação e a dor associadas à osteoartrite — sem cortes e sem cirurgia de grande porte.
A técnica no quadril é mais recente, mas os resultados deste e de outros estudos recentes têm sido consistentes com o que já se observa na embolização genicular do joelho, ampliando a base de evidências para essa aplicação.
Pacientes com osteoartrite de quadril confirmada por exame de imagem, com dor persistente por pelo menos 3 meses apesar do tratamento conservador (anti-inflamatórios, fisioterapia, infiltrações).
Não é indicada como substituta da cirurgia nos casos já avançados com indicação cirúrgica clara. Ela é uma alternativa minimamente invasiva para quem ainda não chegou a esse ponto ou busca postergar a cirurgia, sempre com avaliação individualizada.
No estudo, não houve complicações maiores. A complicação mais comum foi uma descoloração leve e transitória da pele, que se resolveu espontaneamente em 24 horas, sem sequelas.
O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.
Embolização para dor na artrose de quadril: o que mostra um novo estudo alemão
