Dor depois da cirurgia de hérnia inguinal com tela: por que ela acontece?
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No Hospital Certa, somos referência em radiologia intervencionista e no tratamento minimamente invasivo da dor crônica da virilha. Entender a origem da dor é o primeiro passo para tratá-la com precisão, sem novas grandes cirurgias.
A correção da hérnia inguinal é uma das operações mais realizadas no mundo, e o uso de tela (prótese de reforço) tornou o procedimento mais seguro e com menos recidivas. Na grande maioria dos casos a recuperação é tranquila. Em uma parcela dos pacientes, porém, surge uma dor que persiste muito além do tempo esperado de cicatrização — a chamada dor inguinal crônica pós-herniorrafia (ou inguinodinia). Este texto explica, em linguagem acessível, por que essa dor acontece e o que pode ser feito.
Toda cirurgia gera um desconforto inicial, que costuma melhorar progressivamente nas primeiras semanas. Fala-se em dor crônica quando o incômodo persiste por mais de três a seis meses após a operação — período em que a inflamação natural da cicatrização já deveria ter se resolvido. Estima-se que algo entre 10% e 16% dos pacientes apresentem algum grau de dor crônica após a correção da hérnia inguinal, com intensidade variável; em parte deles, a dor chega a limitar atividades do dia a dia.
Para tratar bem, é fundamental identificar o tipo de dor. A literatura distingue três padrões principais, que podem inclusive coexistir:
1. Lesão ou aprisionamento de nervos. Na região da virilha passam três nervos importantes: o ilioinguinal, o ílio-hipogástrico e o genitofemoral. Eles podem ser comprimidos por pontos, grampos, pela tela ou pela cicatriz, ou ser englobados por um neuroma (nódulo que se forma quando um nervo é cortado). Essa é uma das causas mais comuns de dor neuropática persistente.
2. Meshoma (retração da tela). Com o tempo, a tela pode encolher, dobrar e enrugar, formando uma espécie de “bola” de material. Esse meshoma pode comprimir estruturas vizinhas, inclusive nervos, e provocar dor.
3. Fibrose, cicatriz e aderências. A cicatrização exagerada cria tecido fibroso que pode “prender” nervos e tecidos (fibrose perineural), gerando dor ao movimento ou de forma contínua.
4. Material de fixação. Grampos, tacks e suturas usados para fixar a tela podem, em alguns casos, irritar nervos ou o periósteo do osso púbico.
5. Recidiva da hérnia. Quando a hérnia retorna, a protrusão e a tração dos tecidos podem causar dor — geralmente associada a um abaulamento que reaparece com esforço.
6. Reação inflamatória à tela. Em situações menos frequentes, a resposta inflamatória do organismo ao redor da prótese contribui para o desconforto local.
7. Causas não diretamente ligadas à tela. Dor na virilha também pode vir de osteíte púbica (inflamação do osso púbico), problemas do quadril, da coluna lombar ou de tendões da região — por isso a avaliação cuidadosa é tão importante.
O ponto de partida é uma avaliação clínica detalhada, caracterizando o tipo, a localização e os gatilhos da dor. A seguir, exames de imagem ajudam a esclarecer a causa: o ultrassom e a ressonância magnética (incluindo a neurografia por RM, que estuda os nervos) podem identificar recidiva, meshoma, neuromas e aprisionamentos nervosos. Em muitos casos, um bloqueio anestésico diagnóstico guiado por imagem — em que se injeta anestésico ao redor de um nervo específico — confirma qual nervo é o responsável: se a dor desaparece temporariamente, aquele nervo é o alvo do tratamento.
O tratamento depende da causa. Medidas conservadoras (analgésicos, medicações para dor neuropática e fisioterapia) costumam ser a primeira linha. Quando a dor neuropática persiste, a radiologia intervencionista oferece opções minimamente invasivas, guiadas por imagem, que tratam o nervo responsável sem novas grandes cirurgias — como bloqueios terapêuticos e a ablação por radiofrequência do nervo. Quando o problema é uma recidiva ou um meshoma volumoso, a avaliação cirúrgica continua sendo importante. O caminho ideal é sempre individualizado.
Um desconforto leve nas primeiras semanas é esperado. Dor que persiste por mais de três meses, especialmente em queimação ou que irradia, não deve ser ignorada e merece avaliação.
Não necessariamente. A tela pode estar envolvida (por meshoma ou fibrose), mas a causa mais comum é a irritação de nervos. Também há dores que não têm relação direta com a prótese.
Sim. Embora a maioria dos casos surja nos primeiros meses, alterações como retração da tela, formação de neuroma ou recidiva podem provocar dor mais tardiamente.
Não. Muitos casos respondem a tratamento conservador ou a procedimentos minimamente invasivos guiados por imagem. A reoperação é reservada para situações específicas, como recidiva ou meshoma volumoso.
Por meio da avaliação clínica somada a exames de imagem e, frequentemente, ao bloqueio anestésico diagnóstico guiado por imagem, que identifica o nervo responsável.
Entre em contato pelo site www.hospitalcerta.com.br ou pelo WhatsApp (11) 96625-5970. Nossa equipe agenda a consulta com o especialista e orienta sobre todos os exames necessários.
O conteúdo desta página foi elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld, doutor pela Unifesp, onde é professor afiliado e coordenador do setor de Radiologia Intervencionista Vascular. Ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024), é portador de três títulos de especialista: Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Suas publicações científicas, incluindo artigos na revista europeia CVIR, estão disponíveis no Google Scholar e no Lattes. O Hospital Certa tem avaliação ⭐⭐⭐⭐⭐ no Google, baseada na experiência de nossos pacientes.
Dor depois da cirurgia de hérnia inguinal com tela: por que ela acontece?
