Laser ou radiofrequência para a próstata aumentada? Um novo comentário científico muda o foco do debate
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Um comentário científico publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology, coassinado pelo Dr. Denis Szejnfeld, analisa um estudo que comparou diretamente duas tecnologias de ablação térmica transperineal da próstata — a laser (TPLA) e a por radiofrequência (TTPA) — no tratamento da hiperplasia prostática benigna (HPB). A conclusão central: a discussão não deveria ser sobre qual energia é “melhor”, e sim sobre qual estratégia guiada por imagem entrega o melhor resultado para cada paciente.
“No Hospital Certa, acompanhamos de perto a evolução da ablação térmica transperineal da próstata — uma alternativa minimamente invasiva à cirurgia tradicional, que preserva a função sexual e é guiada por imagem em tempo real.”
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é hoje tratada dentro de um espectro terapêutico cada vez mais amplo, que vai além da tradicional escolha entre medicação e cirurgia transuretral. Técnicas de ablação térmica transperineal guiada por imagem surgiram como alternativa minimamente invasiva, seletiva para o tecido prostático, que poupa a uretra e preserva a função sexual.
Neste cenário, um estudo recente de Han e colaboradores comparou, em 36 pacientes, duas tecnologias concorrentes: a ablação transperineal a laser (TPLA) e a ablação térmica transperineal por radiofrequência (TTPA). O comentário aqui analisado — assinado pelo Dr. Denis Szejnfeld em conjunto com os radiologistas intervencionistas Thiago Franchi Nunes e Públio Cesar Cavalcante Viana — discute o que esses resultados realmente significam na prática clínica.
Trata-se de um comentário científico (commentary), publicado na Cardiovascular and Interventional Radiology — periódico oficial da CIRSE (Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista) — em resposta direta ao estudo comparativo de Han et al. Os autores analisam criticamente os dados do estudo original (melhora do escore IPSS, qualidade de vida, volume prostático, fluxo urinário e volume residual pós-miccional aos 6 e 12 meses) e os contextualizam à luz de evidências prévias sobre as duas técnicas, incluindo séries de casos e um ensaio randomizado sobre função ejaculatória.
O comentário “Laser or Radiofrequency for BPH? Moving Beyond Energy Competition” foi escrito por Thiago Franchi Nunes, Denis Szejnfeld e Públio Cesar Cavalcante Viana, radiologistas intervencionistas vinculados a instituições como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) e o Hospital Sírio-Libanês. Foi publicado em 2026 na revista Cardiovascular and Interventional Radiology (CVIR), periódico oficial da CIRSE, em resposta ao estudo de Han e colaboradores sobre ablação transperineal a laser versus radiofrequência para HPB.
Referência (Vancouver): Nunes TF, Szejnfeld D, Viana PCC. Laser or Radiofrequency for BPH? Moving Beyond Energy Competition. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026. doi:10.1007/s00270-026-04511-6
Para o homem com próstata aumentada que busca uma alternativa à cirurgia tradicional, a mensagem prática deste comentário é tranquilizadora: tanto a ablação a laser quanto a por radiofrequência são opções eficazes e seguras, com resultados clínicos semelhantes ao longo de um ano. A diferença não está em qual tecnologia é superior, mas em como o procedimento é planejado e conduzido: a seleção adequada do paciente, o mapeamento anatômico da próstata por imagem, a monitorização em tempo real durante a ablação e a avaliação padronizada após o procedimento. É exatamente essa abordagem guiada por imagem — e não a escolha de uma energia específica — que determina o sucesso do tratamento e a preservação da função sexual.
Ambas são técnicas de ablação térmica transperineal guiada por imagem, que destroem o tecido prostático em excesso sem cortes. A diferença está na fonte de energia utilizada (fibra a laser ou eletrodo de radiofrequência), mas os resultados clínicos aos 12 meses foram semelhantes entre as duas.
Segundo o comentário analisado, não houve diferença significativa de eficácia clínica entre laser e radiofrequência aos 12 meses. A radiofrequência mostrou tempos de procedimento mais curtos, mas isso não significa necessariamente um resultado funcional superior.
Sim, esse é um dos principais atrativos da técnica: por ser seletiva para o tecido prostático e poupar estruturas próximas, a ablação transperineal guiada por imagem tem potencial de preservar a ejaculação — um desfecho que os autores defendem como prioritário nos estudos futuros.
Mais do que a energia utilizada (laser ou radiofrequência), o sucesso depende do planejamento guiado por imagem, da seleção anatômica adequada do paciente, da monitorização em tempo real durante o procedimento e da avaliação padronizada após a ablação.
A ablação transperineal guiada por imagem tem potencial para modelos ambulatoriais e de day-case, mas isso depende da estrutura e do protocolo de cada serviço — o próprio comentário pondera que o estudo de Han et al. não deve ser interpretado, isoladamente, como prova definitiva de uma via ambulatorial.
O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.
Laser ou radiofrequência para a próstata aumentada? Um novo comentário científico muda o foco do debate
