É possível aliviar a dor do joelho por artrose sem cirurgia? O que mostra um estudo sobre a radiofrequência do nervo genicular
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Um estudo prospectivo publicado na revista Pain Physician avaliou a termocoagulação por radiofrequência (RFTC) dos nervos geniculares em 50 pacientes com dor intratável por artrose de joelho que não haviam respondido a medicações e infiltrações. Guiado por ultrassom e sem cortes, o procedimento reduziu de forma significativa a dor e a limitação funcional — com efeito máximo no primeiro mês e benefício mantido, ainda que menor, ao longo de seis meses de acompanhamento.
No Hospital Certa, o tratamento minimamente invasivo da dor no joelho por artrose inclui tanto a radiofrequência do nervo genicular quanto a embolização da artéria genicular — procedimentos guiados por imagem, sem cortes e sem internação prolongada, indicados conforme o perfil e a origem da dor de cada paciente.
A osteoartrite (artrose) do joelho é uma das doenças articulares mais comuns em adultos de meia-idade e idosos — progressiva, dolorosa e capaz de limitar bastante a mobilidade e a qualidade de vida. O tratamento habitual começa por medidas conservadoras: exercícios, controle de peso, analgésicos, anti-inflamatórios e infiltrações. Quando esses recursos se esgotam e o paciente ainda não tem indicação — ou não deseja — a prótese total de joelho, sobram poucas alternativas eficazes.
Os nervos geniculares são pequenos ramos nervosos que transmitem os sinais de dor a partir da articulação do joelho. Na artrose, eles ficam “sensibilizados” e passam a amplificar a dor. A termocoagulação por radiofrequência (RFTC) atua justamente nesse ponto: por meio de calor controlado, interrompe a condução desses sinais dolorosos. Este estudo avaliou a eficácia da técnica especificamente em pacientes com dor intratável — ou seja, sem resposta ao tratamento conservador.
Foi um estudo prospectivo, de centro único, que acompanhou 50 pacientes consecutivos com dor intratável por artrose de joelho, tratados com radiofrequência guiada por ultrassom entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022. A idade média era de 67 anos e a maioria era de mulheres.
Para entrar no estudo, o paciente precisava ter artrose confirmada por radiografia, dor crônica por pelo menos três meses, intensidade de dor igual ou maior que 6 (numa escala de 0 a 10), falha do tratamento com infiltração de corticoide e medicação oral e — um critério importante — pelo menos 80% de alívio em um bloqueio anestésico diagnóstico dos nervos geniculares, feito antes do procedimento definitivo.
A radiofrequência foi aplicada em três nervos geniculares (superior medial, inferior medial e superior lateral), com cada ponto tratado por 90 segundos a 80°C. A dor foi medida pela escala NRS (0 a 10) e a função pelo questionário WOMAC, avaliados antes do procedimento e em 1, 3 e 6 meses. O sucesso foi definido como redução de pelo menos 50% da dor aos seis meses.
O estudo foi conduzido por Sang Hoon Lee e colaboradores, no Madi Pain Management Center (Jeonju) e na Universidade Yeungnam (Daegu), na Coreia do Sul, e publicado em 2024 na revista Pain Physician — periódico da American Society of Interventional Pain Physicians (ASIPP), voltado à medicina intervencionista da dor.
Referência (Vancouver): Lee SH, Choi HH, Kwak SG, Chang MC. Effectiveness of Radiofrequency Ablation of the Genicular Nerves of the Knee for the Management of Intractable Pain from Knee Osteoarthritis. Pain Physician. 2024;27:E419-E429.
Para quem convive com dor de joelho por artrose e já esgotou o tratamento conservador — mas ainda não tem indicação, ou não deseja, a prótese total —, este estudo reforça a radiofrequência do nervo genicular como uma opção minimamente invasiva, feita sem cortes e guiada por ultrassom, capaz de reduzir a dor e melhorar a função.
Alguns pontos, porém, merecem atenção e ajudam a definir para quem a técnica tende a funcionar melhor. O efeito é máximo no primeiro mês e diminui parcialmente depois (o chamado efeito rebote), embora ainda permaneça superior ao quadro inicial aos seis meses. Além disso, os nervos tratados inervam principalmente a parte anterior do joelho — por isso, quando a dor tem origem sobretudo nas regiões média ou posterior, ou quando há dano estrutural grave, o benefício tende a ser menor. A boa seleção do paciente, incluindo o bloqueio diagnóstico prévio, é justamente o que aumenta as chances de sucesso.
Vale lembrar que se trata de um estudo sem grupo de comparação (controle ou placebo), com número relativamente pequeno de pacientes e acompanhamento de apenas seis meses. Os próprios autores recomendam estudos maiores, controlados e de longo prazo para confirmar por quanto tempo o alívio se mantém. A decisão sobre o melhor tratamento deve ser sempre individualizada, com avaliação especializada.
No Hospital Certa, a radiofrequência do nervo genicular já está disponível — realizada por equipe especializada em radiologia intervencionista e com valores acessíveis, para tornar o tratamento minimamente invasivo da dor no joelho ao alcance de mais pacientes.
É um procedimento minimamente invasivo, guiado por imagem, em que se aplica calor controlado sobre os nervos que transmitem a dor do joelho (os nervos geniculares), interrompendo esses sinais dolorosos — sem cortes e sem substituir a articulação.
Não. São duas técnicas minimamente invasivas diferentes para a dor do joelho. A radiofrequência atua sobre o nervo, “desligando” o sinal de dor; a embolização da artéria genicular (GAE) reduz o fluxo de sangue para a sinóvia inflamada, diminuindo a inflamação. No Hospital Certa, as duas estão disponíveis, e a escolha depende do perfil e da origem da dor de cada paciente.
Neste estudo, o alívio foi máximo no primeiro mês e diminuiu parcialmente aos 3 e 6 meses, permanecendo, ainda assim, melhor do que antes do tratamento. A durabilidade a longo prazo precisa de mais estudos.
Pacientes com dor por artrose de joelho persistente apesar do tratamento conservador (medicação, infiltrações, fisioterapia), especialmente quando a dor é predominantemente anterior e há boa resposta ao bloqueio anestésico diagnóstico prévio.
Não nos casos avançados com indicação cirúrgica clara. É uma alternativa para aliviar a dor e adiar ou evitar a cirurgia em pacientes selecionados — sempre com avaliação individualizada.
É um procedimento minimamente invasivo e, em geral, bem tolerado. Como em qualquer intervenção, pode haver desconforto local transitório. A indicação e os cuidados devem ser discutidos com a equipe especializada.
O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar (scholar.google.com/citations?user=11MgKEEAAAAJ) e o currículo completo na Plataforma Lattes (lattes.cnpq.br/5784659077054234).
É possível aliviar a dor do joelho por artrose sem cirurgia? O que mostra um estudo sobre a radiofrequência do nervo genicular
