É possível saber se uma lesão biliar é maligna durante o próprio exame? O que mostra um novo estudo multicêntrico

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É possível saber se uma lesão biliar é maligna durante o próprio exame? O que mostra um novo estudo multicêntrico

É possível saber se uma lesão biliar é maligna durante o próprio exame? O que mostra um novo estudo multicêntrico

É possível saber se uma lesão biliar é maligna durante o próprio exame? O que mostra um novo estudo multicêntrico

Um estudo multicêntrico internacional, publicado na revista CVIR Oncology e com participação do Dr. Denis Szejnfeld, avaliou o desempenho diagnóstico da colangioscopia percutânea (PTCS) em pacientes com lesões biliares complexas cuja imagem e endoscopia prévias não foram conclusivas. Os resultados mostram que a impressão visual do médico durante o exame, associada a padrões específicos observados na mucosa, se correlaciona fortemente com o diagnóstico final de malignidade.

“No Hospital Certa, a colangioscopia percutânea guiada por imagem já integra o arsenal diagnóstico para lesões biliares complexas — permitindo visualizar diretamente o interior das vias biliares e direcionar a biópsia com precisão, especialmente quando exames de imagem e a endoscopia convencional não trazem uma resposta conclusiva.”

O que o estudo investigou

O manejo de doenças biliares complexas continua sendo um desafio mesmo com os avanços em exames de imagem e técnicas endoscópicas. Tomografia e colangiorressonância definem o nível e a extensão de uma obstrução, mas avaliam apenas indiretamente a mucosa biliar. Já a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) permite coleta de amostras, mas em cenários como anatomia cirurgicamente alterada, estenoses indeterminadas ou disfunção de próteses, a incerteza diagnóstica persiste.

A colangioscopia transhepática percutânea (PTCS) permite a visualização direta do interior da via biliar por um acesso transhepático (pela pele, guiado por imagem), possibilitando inspeção da mucosa e biópsia dirigida mesmo quando o acesso endoscópico convencional falhou ou não é viável. Este estudo avaliou o quanto a impressão visual do operador durante o exame — e cinco padrões visuais pré-especificados — se correlacionam com o diagnóstico final por histopatologia, além de descrever a segurança do procedimento.

Como o estudo foi feito

Foi um estudo retrospectivo, multicêntrico, com 68 procedimentos diagnósticos de PTCS realizados entre janeiro de 2018 e julho de 2025, em 10 centros de referência terciários no Brasil (Campo Grande, Florianópolis, Recife e Uberlândia) e na Europa (Portugal, Itália, Grécia e Eslovênia). Foram incluídos apenas casos em que a imagem e a avaliação endoscópica prévias haviam sido inconclusivas ou o acesso endoscópico havia falhado — excluindo-se os procedimentos feitos apenas para tratar cálculos biliares.

Durante o exame, o médico registrava sua impressão visual global (benigna ou maligna) e a presença de cinco padrões visuais específicos na mucosa: vasos tumorais, mucosa hipervascular, nódulo ou massa, projeções papilares e lesão infiltrativa. Esses achados foram comparados com o resultado da biópsia (histopatologia), considerado o padrão-ouro. Eventos adversos foram classificados pelo sistema CIRSE modificado.

Principais achados

  • Entre os 68 procedimentos, malignidade foi confirmada por biópsia em 57 (83,8%) dos casos.
  • A impressão visual global do médico durante o exame teve 84,2% de sensibilidade, 90,9% de especificidade e 85,3% de acurácia para prever malignidade, com valor preditivo positivo de 98%.
  • Entre os padrões visuais específicos, a aparência infiltrativa da mucosa foi a mais específica para malignidade (90,9%) e a mais fortemente associada ao diagnóstico maligno na análise estatística.
  • A presença de vasos tumorais (vasos tortuosos na mucosa) também se associou significativamente à malignidade.
  • Eventos adversos ocorreram em 10 dos 68 procedimentos (14,7%) — a maioria leve ou moderada; 3 casos (4,4%) foram complicações infecciosas graves que exigiram suporte em UTI, e nenhum óbito foi relacionado ao procedimento.
  • Combinar os dois padrões mais informativos (vasos tumorais OU lesão infiltrativa) aumentou a sensibilidade para identificar casos suspeitos, enquanto exigir os dois padrões juntos (vasos tumorais E lesão infiltrativa) permitiu confirmar malignidade com 100% de especificidade nos casos em que ambos estavam presentes.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo “Percutaneous transhepatic cholangioscopy for complex biliary lesions: multicenter real-world diagnostic performance and safety study” foi conduzido por Belarmino Gonçalves, Thiago Franchi Nunes, Denis Szejnfeld e uma ampla rede de colaboradores de centros de radiologia intervencionista no Brasil e na Europa — incluindo o próprio Hospital Certa Expert Care, em São Paulo — e publicado em 2026 na revista CVIR Oncology, publicação afiliada à CIRSE (Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista).

Referência (Vancouver): Gonçalves B, Nunes TF, Oliveira Leite TF, Stefanini FS, Fornazari VAV, De Santi GF, Pazinato LV, Szejnfeld D, Mosconi C, Ierardi AM, Sousa MJ, Dezman R, Krokidis M, Hatzidakis A. Percutaneous transhepatic cholangioscopy for complex biliary lesions: multicenter real-world diagnostic performance and safety study. CVIR Oncology. 2026. doi:10.1007/s44343-026-00045-3

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para pacientes com lesões biliares cuja causa não ficou clara em exames de imagem ou na endoscopia convencional — situação comum em casos de anatomia alterada por cirurgia prévia, estenoses de causa incerta ou mau funcionamento de próteses biliares —, este estudo reforça que a colangioscopia percutânea é uma ferramenta diagnóstica confiável, permitindo enxergar diretamente o interior da via biliar e direcionar a biópsia para a área mais suspeita. A presença de uma aparência infiltrativa da mucosa ou de vasos tumorais durante o exame são sinais de alerta importantes para malignidade. Por outro lado, o estudo também mostra que o procedimento não é isento de riscos: complicações infecciosas graves ocorreram em uma minoria dos casos, o que reforça a importância de protocolos padronizados de profilaxia, drenagem biliar adequada e monitoramento rigoroso após o exame.

Perguntas frequentes

O que é a colangioscopia percutânea (PTCS)?

É um exame guiado por imagem em que um endoscópio fino é introduzido através da pele até dentro da via biliar, permitindo enxergar diretamente a mucosa biliar e realizar biópsia dirigida das áreas suspeitas.

Quando esse exame é indicado?

Principalmente em casos onde exames de imagem e a endoscopia convencional (CPRE) não trouxeram um diagnóstico conclusivo, ou quando o acesso endoscópico não é viável — como em pacientes com anatomia alterada por cirurgia prévia.

A impressão visual do médico durante o exame é confiável?

Neste estudo, sim: a impressão visual global teve 85,3% de acurácia comparada à biópsia, com valor preditivo positivo de 98% — ou seja, quando o médico via aspecto maligno, a chance de realmente ser malignidade era muito alta.

Quais sinais durante o exame sugerem malignidade?

Uma aparência infiltrativa da mucosa (perda da arquitetura normal) e a presença de vasos tumorais tortuosos foram os padrões mais fortemente associados a lesões malignas neste estudo.

Quais os riscos do procedimento?

A maioria das complicações foi leve a moderada (dor, febre transitória, colangite tratada com antibióticos). Complicações infecciosas graves, exigindo suporte intensivo, ocorreram em uma minoria dos casos (4,4%), reforçando a importância de cuidados padronizados de prevenção e monitoramento.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais. Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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