Embolização das artérias do joelho para artrose: estudo brasileiro confirma eficácia e compara materiais

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Embolização das artérias do joelho para artrose: estudo brasileiro confirma eficácia e compara materiais

Embolização das artérias do joelho para artrose: estudo brasileiro confirma eficácia e compara materiais

Embolização das artérias do joelho para artrose: estudo brasileiro confirma eficácia e compara materiais

Um ensaio clínico randomizado brasileiro, publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology, comparou dois materiais usados na embolização das artérias geniculares (do joelho) para tratar a dor da artrose — e mostrou melhora significativa e sustentada por 12 meses com ambos, sem diferença relevante de segurança ou de alívio da dor.

“No Hospital Certa, a dor crônica do joelho por artrose é tratada de forma minimamente invasiva e guiada por imagem, com a embolização das artérias geniculares como alternativa para pacientes selecionados antes da cirurgia.”

O que o estudo investigou

A artrose do joelho é uma das principais causas de dor crônica e perda de mobilidade em adultos. Quando os tratamentos conservadores (fisioterapia, medicação, infiltrações) não resolvem, mas o paciente ainda não tem indicação ou não deseja a prótese de joelho, a embolização das artérias geniculares (sigla GAE, em inglês) surge como opção. A técnica fecha os vasos anormais que se formam na articulação inflamada e que contribuem para a dor, preservando a circulação normal. Originalmente, a embolização era feita com um material temporário (imipenem/cilastatina), mas seu uso é restrito em muitos países. Por isso, passaram a ser usadas microesferas permanentes. Este estudo comparou os dois materiais para responder: a escolha do agente muda a segurança e o resultado?

Como o estudo foi feito

Foi um ensaio clínico randomizado, prospectivo e com cegamento do paciente — o tipo de estudo mais robusto para comparar tratamentos. Sessenta pacientes com artrose de joelho leve a moderada (graus 1 a 3 de Kellgren–Lawrence), com dor importante por mais de seis meses apesar do tratamento conservador, foram sorteados em dois grupos: 30 trataram com imipenem/cilastatina e 30 com microesferas permanentes. Todos os procedimentos foram feitos sob anestesia local, sem sedação, por punção na virilha, e a dor foi medida por escalas reconhecidas (VAS, WOMAC e KOOS) no início e aos 30, 90 e 365 dias.

Principais achados

  • Houve sucesso técnico em 100% dos procedimentos, e os dois grupos tiveram melhora significativa da dor ao longo dos 12 meses.
  • Não houve diferença relevante entre os materiais nos escores de dor (VAS, WOMAC e KOOS) em nenhum dos momentos avaliados.
  • O grupo das microesferas usou um volume um pouco menor de material embólico.
  • Ambos os materiais foram seguros, sem diferenças importantes em efeitos adversos.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo é brasileiro, conduzido em Passo Fundo (Rio Grande do Sul), com participação da Universidade de São Paulo (USP) — incluindo o Instituto do Câncer e o Instituto do Coração (InCor). Foi publicado em 2026 na revista Cardiovascular and Interventional Radiology (CVIR), periódico oficial da CIRSE (Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista) e uma das principais publicações da especialidade. É mais um exemplo da produção brasileira de alto nível em radiologia intervencionista ganhando espaço internacional.

Referência (Vancouver): Correa MP, Michelin AF, Aguiar LA, Lugokenski R, Algarve RI, Motta-Leal-Filho JM. Genicular artery embolization using imipenem/cilastatin vs. microsphere for knee osteoarthritis (GAUCHO). 12-month clinical results of a single-blind randomized controlled trial. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026. doi:10.1007/s00270-026-04504-5

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para quem convive com dor crônica no joelho e já tentou fisioterapia, remédios e infiltrações sem sucesso, a embolização das artérias geniculares é uma alternativa minimamente invasiva, feita com anestesia local e sem cortes, que pode aliviar a dor sem a necessidade imediata de prótese. A principal mensagem deste estudo é dupla: a embolização funciona e mantém o benefício por pelo menos um ano; e o resultado não depende de um material restrito — as microesferas permanentes, amplamente disponíveis, entregam o mesmo alívio com igual segurança. Isso é relevante porque viabiliza o acesso ao procedimento em mais serviços. Para o médico que acompanha o paciente, é um dado de boa qualidade (ensaio randomizado) que ajuda a indicar a técnica com segurança. Vale lembrar que a embolização não cura a artrose, mas trata a dor e pode adiar ou evitar a cirurgia em casos selecionados.

Perguntas frequentes

O que é a embolização das artérias do joelho?

É um procedimento guiado por imagem que bloqueia os pequenos vasos anormais formados na articulação inflamada, responsáveis por parte da dor da artrose — preservando a circulação normal do joelho.

Para quem é indicada?

Principalmente para pacientes com artrose leve a moderada e dor crônica que não melhorou com fisioterapia, medicação ou infiltrações, e que ainda não têm indicação ou não desejam a prótese de joelho.

O procedimento dói? Preciso internar?

É feito com anestesia local, por uma punção na virilha, em geral sem sedação. Costuma ser de curta permanência, com alta no mesmo dia após algumas horas em repouso.

A embolização cura a artrose?

Não. Ela trata a dor e melhora a qualidade de vida, podendo adiar ou evitar a cirurgia em casos selecionados, mas não reverte o desgaste da articulação.

O tipo de material usado faz diferença?

Neste estudo, não. Tanto o imipenem/cilastatina quanto as microesferas permanentes tiveram eficácia e segurança semelhantes em 12 meses.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais (mais de 1.000 citações e índice h 15 no Google Scholar). Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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