Embolização das artérias prostáticas (PAE) ou cirurgia (RTU)? O que mostrou um estudo brasileiro pioneiro
Conteúdos e materiais
Um estudo randomizado da Universidade de São Paulo (USP), publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology, comparou a cirurgia tradicional da próstata (RTU) com a embolização das artérias prostáticas (PAE) — e mostrou alívio de sintomas semelhante, com a embolização sendo feita em regime ambulatorial, com anestesia local e preservando a função sexual.
“No Hospital Certa, a próstata aumentada pode ser tratada pela embolização das artérias prostáticas — um procedimento minimamente invasivo, sem cortes e sem internação, que preserva a função sexual.”
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é o aumento não canceroso da próstata e a principal causa de sintomas urinários no homem que envelhece. Por mais de 80 anos, a ressecção transuretral da próstata (RTU) — cirurgia que retira parte do tecido prostático por dentro da uretra — foi considerada o padrão-ouro. A embolização das artérias prostáticas (sigla PAE) surgiu como alternativa minimamente invasiva: em vez de remover tecido, ela reduz o fluxo de sangue para a próstata, fazendo-a encolher. Este estudo comparou as duas estratégias, incluindo uma versão aprimorada da embolização (a técnica PErFecTED, desenvolvida no Brasil), para responder qual delas controla melhor os sintomas e com qual perfil de segurança.
Foi um estudo prospectivo e randomizado, com avaliação urodinâmica (exames que medem objetivamente o funcionamento da bexiga e o fluxo de urina). Trinta pacientes foram sorteados para fazer RTU ou embolização original (oPAE), e um grupo adicional de 15 pacientes foi tratado com a técnica aprimorada PErFecTED. Todos tinham sintomas importantes, sem resposta ao tratamento com remédios, e foram acompanhados por pelo menos um ano. Os resultados foram medidos por escore de sintomas (IPSS), qualidade de vida, volume da próstata, fluxo urinário (Qmax), função erétil (IIEF-5) e exames urodinâmicos.
O estudo é brasileiro, conduzido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pelas equipes de Radiologia Intervencionista e de Urologia, sob liderança do Dr. Francisco Carnevale — um dos pioneiros mundiais da embolização prostática e criador da técnica PErFecTED. Foi publicado em 2016 na revista Cardiovascular and Interventional Radiology (CVIR), periódico oficial da CIRSE (Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista). É um marco da contribuição brasileira para a consolidação da embolização prostática no mundo.
Referência (Vancouver): Carnevale FC, Iscaife A, Yoshinaga EM, Moreira AM, Antunes AA, Srougi M. Transurethral resection of the prostate (TURP) versus original and PErFecTED prostate artery embolization (PAE) due to benign prostatic hyperplasia (BPH): preliminary results of a single center, prospective, urodynamic-controlled analysis. Cardiovasc Intervent Radiol. 2016;39(1):44-52. doi:10.1007/s00270-015-1202-4
Para o homem com próstata aumentada, este estudo mostra que existe uma alternativa real à cirurgia tradicional. A embolização aprimorada (PErFecTED) aliviou os sintomas de forma semelhante à RTU, mas com vantagens importantes no dia a dia: é feita sem cortes, com anestesia local, em regime ambulatorial e com alta no mesmo dia — sem necessidade de internação. Além disso, preservou melhor a função sexual, evitando a ejaculação retrógrada que ocorreu em todos os pacientes operados pela RTU. É importante manter o equilíbrio na leitura: a RTU teve melhores resultados objetivos de fluxo urinário e maior redução do volume da próstata, e continua sendo uma excelente opção em muitos casos. Trata-se, ainda, de um estudo inicial e com número limitado de pacientes. A mensagem prática é que a escolha deve ser individual — e que vale conhecer a embolização, especialmente para quem prioriza recuperação rápida e preservação da função sexual.
É um procedimento minimamente invasivo, guiado por imagem, que reduz o fluxo de sangue para a próstata, fazendo-a encolher e aliviando os sintomas urinários — sem cortes e sem remoção de tecido.
Neste estudo, a técnica aprimorada (PErFecTED) teve alívio de sintomas semelhante ao da RTU. A cirurgia, porém, obteve melhores resultados de fluxo urinário. A indicação depende de cada caso.
No estudo, a embolização preservou melhor a função sexual e evitou a ejaculação retrógrada, que ocorreu em 100% dos pacientes operados pela RTU.
Não. A embolização foi feita em regime ambulatorial, com anestesia local e alta em cerca de 6 horas, enquanto a RTU exigiu anestesia raquidiana e cerca de 2 dias de internação.
Foram observados incontinência urinária em 26,7% dos pacientes e ejaculação retrógrada em todos eles, além de casos pontuais de sangramento. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais (mais de 1.000 citações e índice h 15 no Google Scholar). Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.
Embolização das artérias prostáticas (PAE) ou cirurgia (RTU)? O que mostrou um estudo brasileiro pioneiro
