Endoleaks após o EVAR: o guia completo dos 5 tipos de vazamento e como cada um é tratado
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No Hospital Certa, referência em radiologia intervencionista, acompanhamos cada paciente após o EVAR com vigilância por imagem e tratamos os endoleaks que precisam de correção — quase sempre por via endovascular, sem grandes cirurgias.
Depois do tratamento endovascular do aneurisma de aorta (o EVAR), uma endoprótese passa a revestir o interior da artéria e isolar o aneurisma do fluxo de sangue. Em parte dos pacientes, porém, o sangue volta a preencher o saco do aneurisma — é o chamado endoleak (ou vazamento). Nem todo endoleak é perigoso, mas alguns precisam de tratamento. Entender os tipos é essencial para o acompanhamento. Este texto, mais aprofundado, explica os 5 tipos em linguagem clara, com notas técnicas para quem quiser ir além.
O “saco” é a dilatação original da artéria. No EVAR bem-sucedido, a endoprótese conduz o sangue por dentro e o saco, despressurizado, tende a estabilizar ou reduzir de tamanho ao longo do tempo. A medição seriada do diâmetro do saco na tomografia é o principal indicador de sucesso do reparo.
Endoleak é a persistência de fluxo de sangue dentro do saco do aneurisma após o EVAR. O problema é que esse fluxo pode manter o saco pressurizado, impedindo que ele encolha e, em alguns casos, fazendo-o crescer — o que reabre o risco de ruptura. Por isso, o acompanhamento após o EVAR é para toda a vida: é ele que detecta o endoleak, classifica o tipo e define a conduta.
Ocorre quando há falha de selamento onde a endoprótese se ancora na parede da artéria — na extremidade de cima (proximal) ou de baixo (distal). É como uma “rolha” que não vedou bem nas pontas: o sangue contorna a borda e entra direto no saco, sob pressão alta. É um endoleak perigoso e que geralmente exige tratamento.
Incidência aproximada de 5–30%. Por exporem o saco à pressão sistêmica, indicam tratamento, em geral com extensão da endoprótese, cuffs (mangas) ou stents/balão para melhorar a vedação; ocasionalmente fixação proximal (endoanchors).
É o mais comum (cerca de 40% ou mais dos casos). Aqui a endoprótese está bem ancorada, mas o saco é preenchido “de volta” por pequenas artérias colaterais que desembocam nele — tipicamente artérias lombares ou a artéria mesentérica inferior. Por ser um vazamento de baixa pressão, costuma ser o de melhor prognóstico: muitos fecham sozinhos e, quando o saco não cresce, a conduta é apenas observar.
Conduta: vigilância quando não há crescimento do saco; tratamento indicado quando há expansão do saco (em geral ≥ 5 mm). As opções incluem embolização transarterial (navegando pelos colaterais) ou embolização translombar (punção direta do saco), com molas e/ou agentes líquidos.
Resulta de um defeito na própria endoprótese: separação entre componentes (módulos que se desconectam) ou rasgo no tecido do dispositivo. Como recoloca o saco sob pressão alta, é perigoso e exige tratamento, semelhante ao Tipo I.
Incidência baixa nas endopróteses modernas (em torno de 1–1,2%). Tratamento usual: relining (revestir por dentro com um novo componente/endoprótese) que cubra o ponto de falha.
É um vazamento transitório pelo próprio tecido (poros) da endoprótese, observado logo após o implante, muitas vezes ligado à anticoagulação do procedimento. Costuma resolver-se sozinho e, em geral, não requer tratamento. É raro nos dispositivos atuais.
Aqui o saco continua crescendo, mas nenhum vazamento é identificado nos exames — fenômeno chamado endotensão. É um diagnóstico de exclusão e, quando há expansão persistente, indica-se tratamento mesmo sem leak visível, pelo risco de ruptura.
| Tipo | Origem | Pressão / risco | Conduta habitual |
|---|---|---|---|
| I | Vedação ruim nas pontas da endoprótese | Alta — perigoso | Tratar (extensão, cuff, balão) |
| II | Colaterais (lombares, mesentérica inf.) | Baixa | Observar; tratar se o saco crescer |
| III | Falha estrutural do dispositivo | Alta — perigoso | Tratar (relining) |
| IV | Porosidade do tecido (precoce) | Baixa, transitória | Geralmente só observar |
| V | Endotensão (sem leak visível) | Crescimento do saco | Tratar se houver expansão |
A vigilância é o que permite detectar e classificar o endoleak a tempo. De forma geral, faz-se uma angiotomografia (angio-TC) nas primeiras semanas e ao longo do primeiro ano; se não houver endoleak nem crescimento do saco, parte do seguimento pode passar para o ultrassom com Doppler anual, em laboratório experiente. Quando há endoleak, os intervalos são mais curtos e individualizados.
A angio-TC trifásica é o padrão para detectar e tipificar endoleaks. O ultrassom com contraste (CEUS) tem sensibilidade alta para Tipo II e ajuda a reduzir radiação e contraste iodado em pacientes selecionados. O parâmetro mais importante no seguimento é a variação do diâmetro do saco ao longo do tempo, mais do que a mera presença de um leak de baixa pressão.
Não necessariamente. O endoleak mais comum (Tipo II) costuma ser de baixo risco e muitos fecham sozinhos. O que define a conduta é o tipo do endoleak e, sobretudo, o comportamento do saco do aneurisma ao longo do tempo.
Os Tipos I e III, porque mantêm o saco sob pressão alta e aumentam o risco de ruptura. Por isso, em geral, são tratados assim que identificados.
Não. Quando o saco não cresce, a conduta costuma ser vigilância. O tratamento (embolização) é indicado quando há expansão do saco ou sintomas.
Porque endoleaks e alterações do saco podem surgir tardiamente. A vigilância por imagem (tomografia e/ou ultrassom) detecta esses problemas a tempo de tratá-los de forma minimamente invasiva.
Na grande maioria das vezes por via endovascular: extensões e cuffs (Tipo I), embolização transarterial ou translombar (Tipo II), relining (Tipo III). A cirurgia aberta fica reservada a casos selecionados.
Em pacientes estáveis e sem endoleak, o ultrassom com Doppler (ou com contraste) anual pode substituir a tomografia em parte do seguimento. Quando há endoleak ou crescimento do saco, a angiotomografia segue sendo essencial.
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O conteúdo desta página foi elaborado pelo Prof. Dr. Denis Szejnfeld, doutor pela Unifesp, onde é professor afiliado e coordenador do setor de Radiologia Intervencionista Vascular. Ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024), é portador de três títulos de especialista: Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), Radiologia Intervencionista e Cirurgia Endovascular (SOBRICE) e Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Suas publicações científicas, incluindo artigos na revista europeia CVIR, estão disponíveis no Google Scholar e no Lattes. O Hospital Certa tem avaliação ⭐⭐⭐⭐⭐ no Google, baseada na experiência de nossos pacientes.
Endoleaks após o EVAR: o guia completo dos 5 tipos de vazamento e como cada um é tratado
