Os miomas uterinos, também chamados de fibromas ou leiomiomas, são tumores benignos formados por tecido muscular liso do útero. Apesar de não apresentarem caráter maligno, podem impactar a qualidade de vida e a fertilidade de muitas mulheres, sobretudo entre 30 e 50 anos. Estima-se que cerca de 70% das mulheres terá, ao menos uma vez na vida, algum mioma detectável em exames de imagem. Como o crescimento desses nódulos sofre influência de estrogênio e progesterona, eles tendem a ser mais frequentes durante a vida reprodutiva e, em geral, reduzem de tamanho após a menopausa.
Em termos práticos, vale atenção por três motivos: fertilidade, pois miomas submucosos ou próximos ao colo do útero podem dificultar a passagem dos espermatozoides e a implantação do embrião; sintomas dolorosos, como sangramentos intensos, cólicas e dor pélvica crônica; e impacto no cotidiano, com sensação de peso abdominal e pressão sobre bexiga e intestino.
Principais sintomas de miomas uterinos
Embora muitos casos sejam assintomáticos, especialmente quando os nódulos são pequenos, miomas volumosos ou localizados na camada submucosa costumam provocar:
- Menstruação intensa e prolongada, por vezes com coágulos e risco de anemia;
- Dor pélvica e cólicas que pioram no período menstrual;
- Aumento do volume abdominal e sensação de inchaço; além de pressão em órgãos adjacentes, o que se traduz em maior frequência e urgência urinária (bexiga) e constipação com distensão (intestino);
- Dificuldade para engravidar, quando o mioma ocupa o colo do útero ou interfere nas trompas de Falópio;
Diante de sintomas recorrentes ou intensos, o recomendado é procurar um(a) ginecologista para investigação adequada.
Exames essenciais para diagnóstico dos miomas uterinos
Ultrassonografia transvaginal (USG TV)
É o método inicial para identificar e acompanhar miomas uterinos por ser rápido, indolor e isento de radiação. O exame permite visualizar, em tempo real, o útero e seus anexos, quantificar os nódulos e determinar tamanho, número e localização (subserosos, intramurais e submucosos).
Por sua acessibilidade, também é excelente para monitorar a resposta ao tratamento.
Ressonância magnética (RM)
Indicada quando há miomas volumosos ou múltiplos ou persistem dúvidas após a ultrassonografia. A RM fornece cortes de alta resolução que ajudam a diferenciar miomas de outras lesões uterinas, como adenomiomas, e orienta o planejamento terapêutico, seja cirúrgico, seja minimamente invasivo.
Histeroscopia
Procedimento minimamente invasivo feito pela via vaginal, com um endoscópio fino que permite visualizar a cavidade uterina e, quando necessário, tratar durante o mesmo ato. É especialmente útil para miomas submucosos e pólipos endometriais, pois possibilita delinear com precisão o tamanho e a localização das lesões e removê-las com menor risco de perfuração, hemorragia e formação de aderências. Em geral, dispensa incisões abdominais, favorece recuperação rápida e preserva a fertilidade.
Tomografia computadorizada (TC)
Reservada para situações em que é preciso avaliar relações anatômicas complexas, por exemplo, miomas muito grandes próximos à bexiga, intestino ou grandes vasos. A TC produz cortes detalhados do abdômen e da pelve e é útil para o planejamento cirúrgico seguro, ao indicar rotas de acesso e antecipar eventuais complicações.
Cuidados e tratamentos para miomas uterinos
A estratégia terapêutica é individualizada e leva em conta intensidade dos sintomas, desejo de fertilidade, número e tamanho dos miomas, além do histórico clínico. Abaixo, você confere as principais opções e como elas se encaixam no cuidado integral em miomas uterinos.
Procedimentos minimamente invasivos
- Embolização de miomas: Realizada por radiologia intervencionista, a técnica acessa, via cateterismo (geralmente pela artéria femoral ou radial), os vasos que nutrem os miomas e injeta microesferas para bloquear seletivamente o fluxo sanguíneo. Sem cortes e, na maioria das vezes, sem internação, os nódulos diminuem de volume e os sintomas como sangramento e dor e tendem a regredir. O útero é preservado, a fertilidade se mantém e o retorno às atividades costuma ser rápido.
- Ablação por radiofrequência: Guiadas por imagem, finas agulhas alcançam o mioma por via percutânea ou transvaginal para aplicar energia de radiofrequência, que cauteriza o tecido e provoca necrose focal. Em poucas semanas, observa-se redução significativa do nódulo, com alívio de sangramento e dor, sem agressão à parede uterina. O procedimento é feito sob sedação leve e favorece recuperação ágil.
- Histeroscopia operatória: Quando o mioma é intracavitário (submucoso), a remoção pode ser feita pela via vaginal com instrumentos acoplados ao histeroscópio, sem incisão abdominal. A visualização direta da cavidade aumenta a precisão, reduz riscos e encurta o tempo de recuperação, sendo uma alternativa valiosa para quem deseja preservar a fertilidade.
Em comum, esses métodos minimamente invasivos oferecem preservação da parede uterina, menor risco em comparação às cirurgias abertas, satisfação elevada entre as pacientes e recuperação em poucos dias; fatores que contribuem para retorno rápido à rotina e menor impacto emocional.
Tratamentos farmacológicos
- Agonistas de GnRH: Ao bloquearem a liberação hormonal hipofisária, induzem um estado temporário de hipoestrogenismo semelhante à menopausa, o que reduz o volume dos miomas e controla rapidamente sintomas como sangramento e dor. Costumam ser usados por curto prazo (por exemplo, como preparo para cirurgias), devido a efeitos colaterais possíveis, como ondas de calor, alterações de humor e redução da densidade óssea, e exigem acompanhamento médico para transição segura após o ciclo terapêutico.
- Anticoncepcionais hormonais: São úteis para regular o ciclo e diminuir a menorragia, aliviando anemia, cólicas e desconforto pélvico. Não reduzem o tamanho dos miomas e, portanto, atuam como controle sintomático, podendo ser combinados a outras abordagens quando há necessidade de redução volumétrica.
- DIU de levonorgestrel: Opção eficaz para reduzir sangramentos em casos de miomas pequenos ou submucosos selecionados. Embora o dispositivo não tenha efeito direto no volume dos nódulos, ele é um aliado importante no manejo da menorragia e na melhora da qualidade de vida de pacientes que não podem ou não desejam procedimentos mais invasivos.
Miomectomia cirúrgica
Quando há desejo de gestação e os miomas são sintomáticos ou distorcem a cavidade uterina, a miomectomia pode ser indicada. Nas vias laparoscópica ou robótica, a retirada dos nódulos é feita por pequenas incisões, com menos dor pós-operatória e recuperação acelerada. Essa abordagem é preferida quando a anatomia permite e quando se busca preservar o útero com o menor trauma possível.
Já a miomectomia aberta (laparotômica) é uma alternativa para situações complexas, como múltiplos miomas volumosos ou localização desfavorável. Em contrapartida, o tempo de recuperação é maior e fica a cicatriz abdominal.
Em ambos os cenários, a decisão considera número, tamanho e posição dos miomas, além da experiência da equipe cirúrgica e das expectativas da paciente.
Histerectomia
A histerectomia é a retirada total do útero, uma solução definitiva para mulheres com miomas uterinos sintomáticos que não desejam engravidar. Ao eliminar o órgão-alvo, praticamente cessam as recidivas relacionadas aos miomas. Por outro lado, é um caminho que encerra de forma irreversível a fertilidade e demanda reflexão conjunta com a equipe médica sobre riscos, benefícios e alternativas menos invasivas. Quando bem indicada, costuma proporcionar grande alívio de sintomas e melhora consistente da qualidade de vida.
Qual é o melhor tratamento para miomas uterinos?
Não existe uma resposta única: o melhor tratamento é aquele que equilibra segurança, eficácia e seus objetivos pessoais, inclusive planos reprodutivos. Em geral, começa-se por métodos menos invasivos quando indicados, reservando a cirurgia para situações específicas. O acompanhamento periódico com ginecologista é fundamental para ajustar a estratégia ao longo do tempo.
Próximos passos
Se você identificou sintomas descritos aqui ou busca um segundo parecer sobre miomas uterinos, agende uma avaliação com nossa equipe. No Hospital Certa, unimos diagnóstico preciso, tecnologias minimamente invasivas e cuidado humanizado para devolver conforto, segurança e qualidade de vida.