Preservar o útero e a saúde mental: o que mostra um grande estudo sul-coreano sobre miomas

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Preservar o útero e a saúde mental: o que mostra um grande estudo sul-coreano sobre miomas

Preservar o útero e a saúde mental: o que mostra um grande estudo sul-coreano sobre miomas

Preservar o útero e a saúde mental: o que mostra um grande estudo sul-coreano sobre miomas

Um estudo populacional da Coreia do Sul, publicado na revista Archives of Women's Mental Health, comparou mulheres com miomas tratadas por histerectomia (retirada do útero) e por procedimentos que preservam o útero — incluindo a embolização das artérias uterinas — e encontrou menor risco de transtornos psiquiátricos no grupo que manteve o órgão.

“No Hospital Certa, o tratamento dos miomas prioriza opções minimamente invasivas que preservam o útero, como a embolização das artérias uterinas, sempre que clinicamente possível.”

O que o estudo investigou

Os miomas uterinos são tumores benignos muito comuns: surgem em 25% a 40% das mulheres em idade fértil. Quando causam sintomas — sangramento intenso, anemia, dor ou aumento do volume abdominal —, existem diferentes formas de tratamento. A histerectomia (retirada do útero) ainda é uma das cirurgias mais realizadas, mas há opções que preservam o útero. Persiste a dúvida: a forma de tratar os miomas influencia a saúde mental da mulher a longo prazo? Este estudo comparou dois caminhos — histerectomia versus procedimentos que preservam o útero — para verificar quem desenvolveu, depois, transtornos psiquiátricos e do humor (como depressão) que não existiam antes.

Como o estudo foi feito

Foi um estudo de coorte retrospectivo de base populacional, usando os dados do seguro nacional de saúde da Coreia do Sul entre 2002 e 2013. Foram analisadas 9.581 mulheres com diagnóstico de mioma que passaram por algum procedimento: 5.990 fizeram histerectomia e 3.591 fizeram cirurgias que preservam o útero (miomectomia, miólise, embolização das artérias uterinas e ablação endometrial). Os pesquisadores acompanharam quem recebeu, após o procedimento, um novo diagnóstico psiquiátrico, ajustando os resultados para fatores como idade, renda, comorbidades, menopausa e retirada de ovários.

Principais achados

  • Após a histerectomia, o risco de transtornos psiquiátricos foi 44% maior do que após procedimentos que preservam o útero.
  • O risco de transtornos do humor (como depressão) foi 62% maior no grupo da histerectomia.
  • Novos diagnósticos psiquiátricos surgiram em 16,8% das mulheres após histerectomia, contra 10,5% das que preservaram o útero.
  • O efeito foi mais forte em mulheres jovens (15–34 anos) e ficou evidente já a partir de cerca de 2 anos após a cirurgia; em mulheres acima de 50 anos não houve diferença significativa.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo foi conduzido na Coreia do Sul, por pesquisadores da Yonsei University (Seul), a partir do National Health Insurance Service — o sistema público de saúde que cobre praticamente toda a população, o que dá grande representatividade aos dados. Foi publicado em 2017 na revista Archives of Women's Mental Health, periódico internacional dedicado à saúde mental da mulher. Os achados estão em linha com outros grandes estudos sobre o tema, reforçando a consistência da associação.

Referência (Vancouver): Lee HJ, Kim SJ, Park EC. Psychiatric outcomes after hysterectomy in women with uterine myoma: a population-based retrospective cohort study. Arch Womens Ment Health. 2017;20(4):487-494. doi:10.1007/s00737-017-0745-6

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para a mulher com miomas, a decisão de tratamento costuma focar no controle do sangramento e dos sintomas — mas este estudo lembra que a escolha pode ter reflexos a longo prazo também na saúde emocional. Preservar o útero, quando clinicamente possível, associou-se a menor risco de transtornos psiquiátricos e do humor, especialmente em mulheres mais jovens. Vale a ressalva de que se trata de um estudo observacional: ele mostra associação, não prova de causa e efeito, e diferenças entre as pacientes podem influenciar o resultado. Ainda assim, o achado fortalece o papel das alternativas que mantêm o útero. A embolização das artérias uterinas — um procedimento minimamente invasivo, sem cortes, que reduz o fluxo de sangue para os miomas — é uma dessas opções, indicada para muitas mulheres conforme avaliação individual. A mensagem prática, para a paciente e para o médico que a acompanha, é conhecer todas as alternativas antes de decidir.

Perguntas frequentes

A histerectomia causa problemas psiquiátricos?

O estudo mostra associação, não causa direta. Mulheres que retiraram o útero tiveram maior risco de transtornos psiquiátricos e do humor do que as que preservaram o útero, mas outros fatores podem contribuir.

Quais tratamentos preservam o útero nos miomas?

Entre eles estão a miomectomia, a ablação endometrial e a embolização das artérias uterinas — esta última, minimamente invasiva e sem cortes. A indicação depende da avaliação de cada caso.

O que é a embolização das artérias uterinas?

É um procedimento guiado por imagem que bloqueia o suprimento de sangue dos miomas, fazendo-os encolher, sem remover o útero e sem cirurgia aberta. A recuperação costuma ser rápida.

Mulheres jovens devem ter atenção especial?

Sim. O maior risco apareceu nas mulheres mais jovens (15–34 anos), para quem discutir alternativas que preservam o útero pode ser especialmente importante.

Vale para mulheres após os 50 anos?

Nesse estudo, não houve diferença significativa de risco psiquiátrico entre histerectomia e procedimentos conservadores em mulheres acima de 50 anos.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais (mais de 1.000 citações e índice h 15 no Google Scholar). Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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