Radiofrequência ou laser para a próstata aumentada? O que revela um novo estudo sobre HPB

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Radiofrequência ou laser para a próstata aumentada? O que revela um novo estudo sobre HPB

Radiofrequência ou laser para a próstata aumentada? O que revela um novo estudo sobre HPB

Radiofrequência ou laser para a próstata aumentada? O que revela um novo estudo sobre HPB

Um estudo publicado na revista Cardiovascular and Interventional Radiology comparou duas técnicas minimamente invasivas para tratar a hiperplasia prostática benigna (HPB) — e os resultados ajudam o paciente e o médico a entender as opções de tratamento da próstata aumentada além da cirurgia tradicional.

“No Hospital Certa, o tratamento da próstata aumentada é feito de forma minimamente invasiva e guiada por imagem, com foco em aliviar os sintomas urinários e preservar a qualidade de vida e a função sexual do paciente.”

O que o estudo investigou

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é o aumento não canceroso da próstata e a causa mais comum de obstrução urinária em homens de meia-idade e idosos. Ela provoca os chamados sintomas do trato urinário inferior (LUTS): jato urinário fraco, vontade frequente de urinar, acordar à noite para urinar e sensação de esvaziamento incompleto da bexiga. Quando o medicamento não resolve, existem alternativas minimamente invasivas à cirurgia. O estudo comparou duas delas, ambas feitas por via transperineal (uma pequena punção na região entre o escroto e o ânus, sem cortes): a ablação por radiofrequência (sigla TTPA) e a ablação a laser com fibra única (sigla TPLA). Em ambas, o calor é usado para reduzir o tecido prostático que obstrui a passagem da urina.

Como o estudo foi feito

Foi um estudo retrospectivo — ou seja, os pesquisadores analisaram registros de pacientes já tratados — com 36 homens que tinham sintomas moderados a graves: 20 trataram com radiofrequência e 16 com laser de fibra única. Todos os procedimentos foram feitos com anestesia local na região do períneo, guiados por ultrassom e pela mesma equipe de radiologia intervencionista. Os pacientes foram acompanhados por 12 meses. Ao longo desse período, os médicos mediram a pontuação de sintomas (IPSS), a qualidade de vida, o volume da próstata, o fluxo urinário e a urina que sobra na bexiga após urinar — além do tempo de procedimento e das complicações.

Principais achados

  • As duas técnicas melhoraram de forma significativa os sintomas urinários em 12 meses, sem diferença relevante entre elas em eficácia.
  • A radiofrequência foi mais rápida: cerca de 31 minutos de procedimento contra 54 do laser, e tempo de ablação de 7 contra 16 minutos, com área tratada maior.
  • As complicações foram semelhantes e em geral leves (20% na radiofrequência e 25% no laser), sendo a mais comum a retenção urinária temporária.
  • Não houve lesão de uretra nem dos ductos ejaculatórios em nenhum dos grupos.

Onde foi feito e onde foi publicado

O estudo foi conduzido na China, no Beijing Friendship Hospital (Capital Medical University) e no Hospital Geral do Exército de Libertação Popular da China, ambos em Pequim. Foi publicado em 2026 na revista Cardiovascular and Interventional Radiology (CVIR), periódico oficial da CIRSE — a Sociedade Europeia de Radiologia Cardiovascular e Intervencionista — e uma das principais publicações da especialidade. Vale destacar que a técnica de radiofrequência avaliada (TTPA) tem raízes em trabalhos do grupo brasileiro do Dr. Thiago Nunes, e o próprio Dr. Denis Szejnfeld figura entre os autores citados nas referências deste artigo, o que reflete a participação brasileira nessa linha de pesquisa.

Referência (Vancouver): Han X, Yang P, Zhao X, Li R, Xiao J, Shen H, et al. Comparison of single fiber transperineal laser ablation and radiofrequency ablation in the treatment of benign prostatic hyperplasia. Cardiovasc Intervent Radiol. 2026. doi:10.1007/s00270-026-04490-8

Por que isso importa para a saúde do paciente

Para o homem com próstata aumentada, a mensagem central é que existem opções minimamente invasivas, feitas com anestesia local e sem cortes, capazes de melhorar os sintomas urinários preservando estruturas importantes — com baixo risco para a função sexual e ejaculatória, justamente o que mais preocupa quem teme a cirurgia tradicional. O estudo mostra que radiofrequência e laser entregam resultados parecidos em 12 meses, e que a radiofrequência pode ser mais rápida e eficiente. Para o médico que encaminha o paciente, são dados úteis para discutir tempo de sala, custo e perfil de cada caso. Por ser um estudo pequeno e retrospectivo, os próprios autores reforçam que ainda são necessários estudos maiores e randomizados — mas o caminho da próstata tratada por imagem, sem bisturi, está cada vez mais consolidado.

Perguntas frequentes

A ablação da próstata por radiofrequência ou laser dói?

Os procedimentos são realizados com anestesia local no períneo, associada a sedação e analgesia leve. A maioria dos pacientes tolera bem o procedimento.

Preciso de internação prolongada?

São procedimentos de baixa invasividade. Muitos pacientes recebem alta no dia seguinte, com uma sonda temporária que costuma ser retirada em poucos dias.

Esses tratamentos afetam a função sexual?

Diferentemente de algumas cirurgias, as técnicas minimamente invasivas guiadas por imagem buscam preservar a função sexual e ejaculatória. Neste estudo, não houve lesão dos ductos ejaculatórios.

Radiofrequência ou laser: qual é melhor?

No estudo, as duas tiveram eficácia parecida em 12 meses; a radiofrequência foi mais rápida. A escolha ideal depende da avaliação individual de cada paciente.

A próstata pode voltar a crescer depois do tratamento?

A HPB é uma condição progressiva, por isso o acompanhamento periódico é importante para monitorar os sintomas ao longo do tempo.

Sobre o autor

O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais (mais de 1.000 citações e índice h 15 no Google Scholar). Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.

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