Retirar o útero afeta a saúde mental a longo prazo? O que mostra um grande estudo da Mayo Clinic
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Um estudo da Mayo Clinic, publicado na revista Menopause, acompanhou mulheres por mais de 20 anos e encontrou maior risco de depressão e ansiedade após a histerectomia (retirada do útero) — mesmo quando os ovários são preservados. Um dado importante para quem avalia alternativas que poupam o útero no tratamento de miomas e sangramento uterino.
“No Hospital Certa, o tratamento dos miomas e do sangramento uterino prioriza opções minimamente invasivas que preservam o útero, como a embolização das artérias uterinas, sempre que clinicamente possível.”
A histerectomia — cirurgia de retirada do útero — é uma das operações ginecológicas mais comuns: só nos Estados Unidos são mais de 400 mil por ano. Já se sabia que retirar os ovários junto traz riscos à saúde a longo prazo. A dúvida que este estudo foi responder é diferente: quando se retira apenas o útero e se preservam os ovários, há efeito sobre a saúde mental ao longo da vida? Os pesquisadores compararam mulheres que fizeram histerectomia (com ovários preservados, por causas benignas) com mulheres da mesma idade que não operaram, para ver quem desenvolveu, anos depois, condições como depressão e ansiedade que não existiam antes da cirurgia.
Foi um estudo de coorte histórico — os pesquisadores acompanharam, a partir de registros médicos, o que aconteceu com as pacientes ao longo do tempo. Foram 2.094 mulheres operadas entre 1980 e 2002 no condado de Olmsted (Minnesota, EUA), cada uma comparada a uma mulher da mesma idade que não havia feito a cirurgia. O acompanhamento durou, em média, quase 22 anos. Para isolar o efeito da cirurgia, foram analisadas apenas condições mentais que surgiram depois do procedimento (excluindo quem já tinha o diagnóstico antes) e os resultados foram ajustados para 20 doenças crônicas prévias e outros fatores, como escolaridade.
O estudo foi conduzido nos Estados Unidos, na Mayo Clinic (Rochester, Minnesota), usando o Rochester Epidemiology Project — um sistema que reúne os registros médicos de toda a população do condado de Olmsted, o que confere grande confiabilidade ao acompanhamento de longo prazo. Foi publicado em 2020 na revista Menopause, periódico oficial da The North American Menopause Society e referência internacional no tema.
Referência (Vancouver): Laughlin-Tommaso SK, Satish A, Khan Z, Smith CY, Rocca WA, Stewart EA. Long-term risk of de novo mental health conditions after hysterectomy with ovarian conservation: a cohort study. Menopause. 2020;27(1):33-42. doi:10.1097/GME.0000000000001415
Muitas mulheres tratam miomas, sangramento intenso ou outros problemas benignos com a retirada do útero, acreditando que o impacto se encerra com a recuperação da cirurgia. Este estudo sugere que pode haver efeitos a longo prazo na saúde mental — especialmente em mulheres mais jovens — mesmo preservando os ovários. É importante entender que se trata de um estudo observacional: ele mostra associação, não prova de causa e efeito, e parte da explicação pode estar na própria condição que levou à cirurgia. Ainda assim, o achado reforça o valor de discutir, quando clinicamente adequado, alternativas que preservam o útero. No caso dos miomas, a embolização das artérias uterinas é um procedimento minimamente invasivo, sem cortes e sem remoção do útero, que pode controlar sangramento e sintomas mantendo o órgão. Para a paciente e para o médico que a acompanha, a mensagem é conversar sobre todas as opções antes de decidir.
O estudo encontrou associação, não causa direta. Mulheres que retiraram o útero tiveram maior risco de depressão e ansiedade a longo prazo, mas outros fatores podem contribuir. O importante é considerar esse risco na decisão.
Mesmo preservando os ovários, o estudo observou aumento do risco de depressão e ansiedade — por isso a preservação dos ovários, embora importante, não elimina totalmente a preocupação.
Sim. A embolização das artérias uterinas é uma opção minimamente invasiva que trata os miomas preservando o útero, indicada para muitas mulheres conforme avaliação individual.
O risco foi mais alto quando a cirurgia ocorreu entre 18 e 35 anos. Para mulheres jovens, discutir alternativas que preservam o útero pode ser especialmente relevante.
O aumento de depressão foi observado de forma geral e, de modo mais marcado, em cirurgias por distúrbios menstruais. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo médico.
O Dr. Denis Szejnfeld é radiologista intervencionista, doutor pela Unifesp e professor da instituição, e ex-presidente da SOBRICE (biênio 2023–2024). Reúne três títulos de especialista — em Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), em Radiologia Intervencionista e Angiorradiologia (SOBRICE) e em Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV) —, com formação no Brigham and Women's Hospital e no Beth Israel Deaconess Medical Center (Harvard) e ampla produção científica em periódicos nacionais e internacionais (mais de 1.000 citações e índice h 15 no Google Scholar). Consulte sua produção científica e índice de impacto (índice h) no Google Scholar e o currículo completo na Plataforma Lattes.
Retirar o útero afeta a saúde mental a longo prazo? O que mostra um grande estudo da Mayo Clinic
